A diretoria regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) projeta para o início do segundo semestre do ano que vem a inauguração de uma nova incubadora de empresas na cidade. A informação é do diretor da entidade, José Luiz Miranda Simonelli. Segundo ele, o projeto será realizado em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e com a Universidade Estadual Paulista (Unesp).
“O Ciesp vai montar a estrutura e o município dará a instalação física, no caso, a Unesp. A manutenção da incubadora - treinamento, formação e cursos - ficará por conta do Ciesp em parceria com o Sebrae”, relata. A incubadora que funcionou em Bauru por dois anos foi fechada na ano passado.
Ele conta que o projeto já estava contemplado no orçamento da entidade deste ano, mas a instalação física ficou indefinida.
“Prorrogamos o projeto para o ano que vem. A Unesp entrará com as instalações físicas e participará do conselho na seleção dos projetos, além de dar suporte tecnológico”, explica.
Simonelli prevê que, durante o primeiro semestre do ano que vem, o Ciesp, o Sebrae e a Unesp vão concluir os detalhes do projeto da nova incubadora. “Acho que as atividades começarão a partir do segundo semestre de 2004.”
O diretor da entidade diz que a idéia é fomentar a instalação de microempresas que trabalhem com produtos de maior valor agregado. “Temos que trabalhar essa idéia não só nas incubadoras, mas no País como um todo”, defende.
Na opinião dele, a balança comercial brasileira apresenta superávit, porém, esse indicador é relativo. “O saldo comercial é em função de exportar commodities e importar produto manufaturado. E isso não agrega valor. Agrega valor em volume, mas não agrega valor individualmente.”
Simonelli explica que o problema do desemprego está diretamente relacionado a essa questão. “Há um estímulo para a exportação de produtos manufaturados. Mas o que ocorre é o contrário. Está entrando no País uma série de produtos manufaturados que acabam tomando nossos empregos. Ao invés de exportar o minério de ferro, precisamos exportar o vergalhão, a chapa. Hoje, o minério de ferro brasileiro retorna como porta e capô de carros”, reforça.
É nesse contexto que o dirigente do Ciesp quer implantar a nova incubadora de empresas. “Precisamos estimular a fabricação de produtos que agreguem valor tecnológico. É preciso criar uma consciência nacional que incentive o consumo de produtos brasileiros.”
Dez projetos
O projeto da nova incubadora prevê, inicialmente, a instalação de dez microempresas. A informação é do coordenador de tecnologia do Sebrae/Bauru, Clemilton Bassetto. “Neste momento, ainda estamos formalizando o convênio entre as partes envolvidas”, informa.
Ele acredita que o projeto da nova incubadora deverá ser um sucesso. “Bauru tem um bom mercado. Em todo o Estado, temos 40 incubadoras. Na região, já temos funcionando as incubadoras de Lençóis Paulista, Barra Bonita, Jaú, Lins e Bariri. Para 2004, vamos inaugurar mais sete”, adianta.
Bassetto garante que o projeto protege os microempresários em toda a fase de instalação e fomentação dos negócios. “Durante dois anos, o Sebrae, o Ciesp e a Unesp vão amparar essas empresas para que, depois, elas andem com as próprias pernas. Vamos levá-las em feiras para que exponham seus produtos.”
O coordenador de tecnologia do Sebrae conta que uma empresa incubada, com apoio, tem 78% de chances de sobreviver no mercado em seu primeiro ano de atividade. “Fora da incubadora, cerca de 80% das empresas que operam no primeiro ano quebram.”
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Experiência de dois anos
Após a Instituição Toledo de Ensino (ITE) deixar a categoria de entidade educacional filantrópica, a Incubadora de Empresas de Bauru deixou de funcionar em abril do ano passado. Na época, nenhuma outra instituição se interessou em assumir o projeto e o Sebrae, parceiro na iniciativa, não tinha condições de assumir a responsabilidade da manutenção sozinho.
A incubadora havia sido criada há dois anos, com 12 microempresários sendo assistidos. Na época em que fechou, apenas quatro estavam no projeto e menos da metade do prédio estava sendo utilizada.
Mesmo com o curto período de atividades, a Incubadora de Empresas de Bauru chegou a ser ponto de referência. O projeto daqui foi requisitado pelas incubadoras de Americana, Santos, Jundiaí, Santo André e Sorocaba, entre outras.