Ponto de equilíbrio. Essa foi a expressão mais usada por lideranças e dirigentes políticos de Bauru para definir a atuação do empresário Moussa Tobias no campo político. Conhecido por suas ponderações, tinha trânsito livre em todas as segmentações políticas da cidade, desde os radicais da então esquerda até a direita. A característica lhe rendeu respeito e o título de conselheiro político.
A paciência também compunha a sua lista de sabedoria. Moussa, como ninguém, sabia ouvir pacientemente não só seus aliados, mas também dirigentes partidários considerados de oposição a sua filosofia política. Por mais de duas décadas militou no PMDB, partido do qual também foi presidente.
Em 1976, registrou sua primeira experiência numa disputa eleitoral. Foi candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Roberto Purini. Mas a soma das chamadas sublegendas - os partidos podiam ter mais de um candidato a prefeito - acabou por eleger Osvaldo Sbeghen, do PDS.
Na gestão do então prefeito Edison Bastos Gasparini e, na seqüência, de Tuga Angerami, assumiu a presidência da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab).
Na eleição municipal de 1992, o seu grupo político e a militância peemedebista decidem indicá-lo à candidatura de vice-prefeito na chapa encabeçada pelo então deputado federal Tidei de Lima (PMDB).
No comando
Tidei e Moussa foram eleitos prefeito e vice, respectivamente, assumindo o comando da Prefeitura de Bauru em janeiro de 1993. No final de novembro de 1994, o prefeito se ausenta por 19 dias do cargo para uma viagem à Argentina.
Numa relação que já se mostrava desgastada com seu colega de chapa, Moussa assume a administração municipal no dia 25 de novembro. Comanda a cidade até 13 de dezembro. Nesse meio tempo, inaugura a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) do Parque Santa Edwirges, seu primeiro ato político como prefeito.
Antes mesmo de assumir a condição de chefe do Executivo, o empresário desfilia-se do PMDB, provocando rumores sobre seu relacionamento com Tidei de Lima.
Encerrada a gestão, em dezembro de 1996, Moussa retira-se da vida pública de maneira bastante discreta e dedica-se à construção da candidatura de seu irmão, Pedro Tobias, à Assembléia Legislativa, tarefa que obteve sucesso.
Ele também ocupou funções executivas em várias entidades do segmento organizado da sociedade. Ainda ocupava a presidência do conselho deliberativo do Bauru Tênis Clube (BTC), foi diretor do Esporte Clube Noroeste, da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), ocupou a diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e presidiu o Clube Monte Líbano de Bauru por várias vezes.
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Última entrevista
No dia 8 de dezembro de 2001, Moussa Tobias concedeu sua última entrevista ao Jornal da Cidade. Na condição de empresário e até mesmo de consultor político, ele fez uma avaliação sobre a situação da cidade.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de um dia disputar a eleição para a prefeitura, o empresário foi enfático: “Vou dizer com a maior franqueza do mundo: ser prefeito de uma cidade como Bauru, principalmente na minha condição de imigrante, seria uma honraria muito grande, mas eu jamais faria isso”, garantiu. E Moussa cumpriu o que falou.
Na justificativa, comentou: “Disputar uma eleição em que só o vencer está acima de qualquer princípio e ética, que enxovalhar os outros, mentir e iludir também seriam táticas para conquistar o eleitor menos informado, fica difícil. Eu não entraria nessa briga. Acho isso deprimente para um ser humano que tem um mínimo de ética.”