Tribuna do Leitor

A cidade quer ser grata


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O próprio período do ano colabora, fazendo com que o desgaste, o cansaço, a insatisfação que um ano repleto de embates como este dê o merecido lugar ao clima que todo final de ano sempre traz. Está certo que ainda continuam causando mal estar algumas coisas conduzidas de forma equivocada pelo Executivo - o projeto do novo ISS, a contribuição para o Corpo de Bombeiros, ambas padecendo do mesmo mal de não terem sido previamente discutidas para poderem ser conscientemente absorvidas.

Mas é inegável que hoje o que todo mundo mais deseja é encontrar motivos para renovar a sua capacidade de esperar um ano melhor para a cidade e seria um grande desperdício a Administração Municipal perder a oportunidade de fazer a sua parte nesse processo.

Batendo o recorde de semanas em que não se fala em mais nenhuma nova processante contra o prefeito, após o arquivamento da última, acreditamos, como produto da saturação que situações dessa ordem atingiram na cidade e admitindo que casos novos não venham a surgir mais a frente - apesar de o seu retorno ao cargo estar sustentado por uma liminar que pode ser revogada a qualquer momento - é de se imaginar que o chefe do Executivo venha a conseguir cumprir o seu mandato até o último dia de 2004.

Quem sabe embalados por esse clima de final de ano, mas muito mais como torcedores das coisas de Bauru, faz bem ver como um número enorme de bauruenses, mesmo com inúmeras razões para a prática da crítica até ferrenha, antes disso estão mais é torcendo para o Executivo ver como histórico o presente momento, após todas as batalhas travadas com os vereadores e por esses cinco anos de visível isolamento diante da comunidade, por mais paradoxal que possa ser visto dessa forma um centro de geração e produção de decisões que implicam diretamente na vida de todos nós.

Reconhecendo a validade de agir sempre de olho no pára-brisa, bem mais do que no espelho retrovisor, de nada adiantaria ficar aqui lamentando o que o Executivo fez e não deveria ter feito, e o que ele não fez e deveria ter feito, para que, cinco anos depois, Bauru pudesse estar saboreando hoje um nível de desenvolvimento bem superior ao que nos encontramos.

Às portas de iniciar o seu último ano de mandato, a nosso ver este deveria ser o momento mais do que adequado para o chefe do Executivo, seus secretários e diretores selarem um pacto em torno da eficiência, da agilidade, da habilidade, da transparência e da competência na gestão dos recursos que têm às mãos, zerando todas as pendências que irritantemente alimentaram o noticiário dos últimos tempos, sem criar mais nenhuma.

Que pelo menos em seu último ano de mandato essa administração seja mais pró-ativa e não tenha sempre que reagir com explicações, correções, revisões de atitudes e procedimentos, como tem acontecido com tanta coisa - o projeto do ISS não discutido previamente com a comunidade; a falta de repasse ao Bic Banco das parcelas descontadas dos funcionários, que se viram indevidamente cobrados pelo que não deviam; um absurdo plebiscito oferecido aos servidores para apurar o que já se sabia, entre receber o salário ou repassar à Funprev; a suspensão de outro absurdo envolvendo um aumento de 73% no serviço de instalação de estacas da fatídica Ponte “Ayrton Sena”, no “Mary Dota” - para ficarmos somente nesses últimos fatos negativos envolvendo a prefeitura, já que, certamente, nem necessidade haveria de mais, por se tratar de um noticiário que ninguém gostaria de ter para divulgar e comentar.

Até por uma questão de sobrevivência, temos certeza que o desejo coletivo é ver a prefeitura assumindo neste último ano de mandato a sua importância como o maior centro gerador de fatos que impactam diretamente na vida de todos nós, na condição da grande produtora de conquistas da cidade.

A esse estágio, porém, somente é possível chegar dentro de um plano real, não meramente intencional, se todos os seus integrantes - desde o chefe do Executivo, passando pela equipe de gabinete, secretários, diretores e funcionários - incorporarem o chamado espírito empreendedor. Aquela hoje mais do que admirada postura dos profissionais que estão mudando os destinos das empresas que começaram estes novos tempos vencendo, não porque sejam gênios, muito menos superdotados, mas como pessoas comuns, que alcançam resultados incomuns. Exatamente porque, totalmente comprometidas, tem prazer e alegria em realizar juntas, sabem conciliar o talento de profissional com a alma de amador, como um propósito de vida colocam extraordinária determinação, persistência, criatividade e sensibilidade em tudo que fazem com admirável sentimento de missão, como uma verdadeira causa, com enorme paixão. A cidade será eternamente grata a todos eles.

Flávio Antonio de Angelis

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