Política

Fiéis serão orientados para eleição

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Quem ainda é adepto da filosofia de que política e religião não se misturam deve repensar essa posição. Segmentos organizados da comunidade católica e evangélica já estão se articulando para orientar seus fiéis na escolha do próximo prefeito de Bauru. O processo também será extensivo à definição do candidato que receberá o voto para a representação na Câmara Municipal.

Nessa questão, católicos e evangélicos unem o discurso. A orientação não se dará com nomes e nem com preferências ideológicas e partidárias. O objetivo dos dois segmentos religiosos é fazer com que seus fiéis escolham candidatos comprometidos com a ética e com o trabalho pelo bem comum.

Para reforçar a conscientização neste ano - pois o trabalho já vem sendo feito desde eleições anteriores -, o Conselho dos Pastores Evangélicos e o Conselho Diocesano de Leigos e Leigas de Bauru - segmento ligado à Igreja Católica - preparam a distribuição de cartilhas que ensinam o ABC básico para a escolha de um bom candidato a prefeito e Câmara Municipal.

Além do manual que conspira contra o “oba-oba” dos espertalhões e oportunistas da temporada que se abre, católicos e evangélicos também prometem repetir um evento que compõe a lista de orientações: os debates.

As lideranças dos dois segmentos vão reprisar o sucesso de eleições passadas. Além de gravar em vídeo as respostas das perguntas que serão feitas, vão redigir documentos que serão assinados pelos candidatos postulantes aos cargos eletivos.

Avaliação

A intromissão dos segmentos religiosos na seara política, nesses últimos anos, vai mais além do que simplesmente a orientação dos fiéis para a escolha de um bom candidato. O Conselho Diocesano de Leigos e Leigas, por exemplo, vai avaliar a atuação dos vereadores Edmundo Albuquerque (PPS), Faria Neto (PDT), José Carlos Batata (PT), Leandro dos Santos Martins (PP) e José Clemente Rezende (PDT), que representam a comunidade católica no Poder Legislativo.

Segundo o presidente da entidade, Luiz Vitório Orti, a cartilha que será distribuída neste ano eleitoral pedirá aos eleitores católicos que avaliem o posicionamento desses parlamentares nas decisões políticas mais polêmicas que escreveram a história de 2003.

“O que caracteriza ser ou não ser um católico cristão é a prática no dia-a-dia. Por isso pediremos que os leigos e leigas católicos avaliem a prática de cada um desses vereadores para confrontar com aquilo que dizem que são”, observa Orti.

Comércio de voto

O recebimento de favores por parte de eleitores vindo dos candidatos - como cestas básicas, jogos de camisas de futebol, tratamentos dentários, dentre outros - é uma prática que será combatida pelo Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru.

“O eleitor evangélico deve orar para pedir a Deus que o oriente na escolha de um bom candidato. Além disso, os fiéis precisam pesquisar a vida dos candidatos”, orienta o presidente da entidade, pastor Nilton Lira Baro.

O processo de conscientização política, segundo Baro, visa pôr um ponto final nas turbulências políticas que pipocam na cidade desde a cassação do ex-prefeito Antonio Izzo Filho, em agosto de 1997.

“Bauru passou por situações terríveis. A cidade parou de progredir em conseqüência de tudo que aconteceu no meio político nesses útimos anos. Esperamos que Deus levante alguém que possa ter a missão de fazer um bom governo.”

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