Está na ordem do dia, ocupando espaços em nossa mídia, a questão da identificação, por impressões digitais e fotografia, dos cidadãos americanos que desembarcam em nosso país. Identificação que é feita dos nossos cidadãos que desembarcam nos EUA. Trata-se, sem sombra de qualquer dúvida, da aplicação do princípio da reciprocidade, corolário irrecusável da soberania, e exigência de base constitucional. E está aí, para quem tem olhos de ver, o tremendo escândalo armado em torno do assunto: é que é, precisamente, a noção de soberanias nacionais que os senhores do mundo pretendem destruir. Os seus solícitos e deploráveis servidores alegam não ter cabimento a exigência, pelo nosso país, da citada reciprocidade pois, ainda segundo aqueles solícitos serviçais, o nosso país não está sendo ameaçado pelo terrorismo, como estão os americanos. Ora, em primeiro lugar, tal argumento especioso nada tem a ver com o princípio a ser preservado; em segundo lugar, ao que saibamos, nunca partiu de nenhum brasileiro qualquer ato de terrorismo, contra os EUA ou contra quem quer que seja. O mesmo não pode ser dito da grande potência do norte, a, de longe, maior perpetradora de atos de terrorismo de que tem registro a História da humanidade. Exemplo clássico, e que envergonha a espécie humana, o lançamento de bombas atômicas sobre duas cidades abertas japonesas, Hiroshima e Nagasaki, com o conseqüente morticínio, absolutamente indiscriminado, de tudo quanto vivia e respirava naquelas cidades. Até hoje, ainda se observa uma incidência maior de câncer em descendentes dos que, distantes dos focos das explosões, foram atingidos pelas emanações radioativas conseqüentes a elas.
Para os mais jovens, os exemplos citados referem-se a algo recuado no tempo, já sem o impacto que os anos transcorridos esmaeceram. Agora, porém, em nossos dias, o que dizer do massacre do Iraque, ao arrepio da ONU, baseado em alegações manifestamente falsas, como as da existência de supostas armas, tão terríveis, que davam a Saddam Hussein, o ditador local, a possibilidade de, em 45 minutos, colocar em risco mortal todo o planeta Terra?
O mesmo massacre também foi levado a cabo contra o Afeganistão, sob o pretexto de implantar ali a democracia, ameaçada pelo regime Taleban que, aliás, está hoje, a despeito dos agressores, controlando cerca de dois terços daquele país.
Ademais, meliantes há, que convém serem identificados, e que não são terroristas: os que traficam, por exemplo, com rins de pobres, dos quais compram um, para vendê-lo aos que estão necessitando do transplante do referido órgão. E há o tráfico do sexo, em quadrilhas organizadas, não constando que nenhuma delas seja liderada por brasileiros. Elementos de cidadania americana estão, comprovadamente, comprometidos com a direção de algumas dessas quadrilhas. E quem é que lava os bilhões da droga? Bancos brasileiros?
Tudo isso dizemos, para realçar o quanto é deplorável o servilismo solícito, dos que preferem servir aos mais poderosos, não à própria pátria. É uma pena que alguns tenham descido tão baixo em termos de civismo.
Até as próximas “Reflexões”, se Deus quiser.
O autor, Jorge Boaventura, é Jornalista.