A Mercedes-Benz, do grupo DaimlerChrysler, acaba de contratar 200 funcionários e, em fevereiro, vai ampliar novamente o quadro em mais 180 trabalhadores, todos para a fábrica de caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
Em menos de duas semanas deste início de ano, as montadoras estão perto de recuperar todas as vagas cortadas em 2003. Além da Mercedes, já anunciaram contratações a General Motors, Fiat, PSA Peugeot Citroën e Scania, num total aproximado de 910 novos postos.
No ano passado, o setor demitiu 979 trabalhadores e encerrou o período com 90,8 mil empregados, o mais baixo nível dos últimos 30 anos. O resultado só não foi pior porque o segmento de máquinas agrícolas abriu 1.918 vagas, reduzindo o impacto dos 2.897 postos cortados pelas fábricas de automóveis e veículos pesados.
A recuperação que se desenha neste começo de ano está ancorada nas exportações e no aquecimento do mercado interno, que deve crescer 8%. O diretor de Recursos Humanos da Daimler, Ricardo Santos, disse que as 380 contratações são para reforçar a produção de motores, câmbios e veículos destinados ao mercado externo, principalmente Estados Unidos.
As exportações devem responder este ano por um terço da produção da Mercedes. Em 2003, o grupo contratou 555 trabalhadores, dos quais 470 para a produção, quase todos no ABC. “A maioria dos contratados é de jovens com idade média de 25 anos e segundo grau completo”, disse Santos.
A Scania, também fabricante de caminhões em São Bernardo, efetivou 90 estagiários nas áreas industrial e de mecatrônica e convocou outros 80 no início do mês. A montadora tem 60% da produção voltada às exportações.
A PSA Peugeot Citroën iniciou o ano com 120 contratações temporárias na fábrica de Porto Real (RJ). A empresa negocia com o sindicato dos metalúrgicos local a flexibilização da jornada de trabalho.
Se a proposta for aceita, os temporários serão efetivados. “Queremos ampliar o nível de emprego, mas precisamos da flexibilização para eventuais necessidades de reduzir a produção”, disse o diretor de relações corporativas, Rodrigo Junqueira.
A PSA suspendeu a produção durante 45 dias entre dezembro e janeiro. Neste ano, já estão previstos 36 dias de paradas, parte deles em março. A empresa negocia com os funcionários o pagamento de 60% dos salários nos dias em que a produção for suspensa. “Se o mercado continuar reagindo, não haverá necessidade de parar”, lembrou Junqueira.