Gália - Às vésperas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) completar 20 anos de existência, 176 famílias estabeleceram dois novos acampamentos na região. O maior fica em Gália (45 quilômetros a Oeste de Bauru), onde cerca de 300 pessoas montaram barracas e hastearam a bandeira do movimento na fazenda Boi Bravo.
O outro acampamento foi montado na Fazenda Candeia, no distrito de Brasília Paulista, em Piratininga (13 quilômetros a Sudoeste de Bauru). Cerca de 36 famílias estão no local desde sábado de manhã.
Em ambos os casos, a ocupação foi pacífica, segundo informou a Polícia Militar das duas cidades. Os proprietários das fazendas já anunciaram a intenção de pedir a reintegração de posse à Justiça.
O acampamento de Gália recebeu o nome de “Margarida Maria Alves” e conta com famílias ligadas ao MST. Em Piratininga, o grupo de sem-terra se diz independente, mas vê com simpatia as ações do movimento.
Segundo a Polícia Militar de Gália, o grupo que se hospedou na cidade saiu do assentamento Palmares, no distrito de Guaricanga, em Presidente Alves, na sexta-feira à noite e chegou à fazenda no sábado de madrugada.
Entre os acampados estão famílias que saíram de cidades como Marília, Garça, Pirajuí, Reginópolis e Presidente Alves. Fazem parte do grupo cerca de 50 crianças.
A área ocupada fica às margens da estrada vicinal que liga Gália à rodovia SP-331. A um quilômetro dali está a fazenda Lutétia que foi invadida pelos sem-terra em 2001.
No fim do mesmo ano, eles foram retirados do local por ordem judicial. Atualmente, o grupo está acampado na estrada que dá acesso à Fazenda Santa Júlia, que passa por um processo de desapropriação.
Área de preservação
Em Piratininga, o cerealista Nilton Cézar Zanqueta teria revelado à polícia que vai pedir a reintegração de posse da área porque está preocupado com a preservação da mata.
Segundo ele informou aos policiais, próximo ao local onde estão os sem-terra fica uma área de preservação ambiental. Qualquer dano que eventualmente venha a ser causado ao local será de responsabilidade do proprietário da fazenda.
Os sem-terra dizem, no entanto, que só saem da fazenda se forem transferidos para alguma área onde haja assentamento.
Apesar da ameaça, a polícia não acredita que o grupo oferecerá resistência, caso a Justiça emita uma ordem de reintegração de posse. No sábado, quando o acampamento começou a ser montado, os policiais estiveram no local e afirmam que não houve nenhuma demonstração de força por parte dos sem-terra nem dos funcionários da fazenda.
Segundo a PM, o grupo é formado por dissidentes do Movimento Agrário de Sem-Terra (Mast) e já teria participado de outras ocupações de terra em Piratininga, há alguns anos.
No mesmo distrito onde está instalado o acampamento, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assentou no mês passado 25 famílias de sem-terra.
20 anos
Hoje, o MST está completando 20 anos de existência. Segundo pesquisa feita pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o movimento está presente em 45% dos 5.223 assentamentos feitos até agora no País.
O restante estaria dividido entre dezenas de outros movimentos sociais e sindicais.
Segundo a pesquisa, é na região Sul onde o movimento é mais influente. Cerca de 94% dos 966 assentamentos pesquisados naquela região têm o MST como base de apoio.
Aliás, foi no Rio Grande do Sul onde ocorreu a invasão que deu origem ao período de “gestação” do movimento e foi no Paraná (ambos no Sul) onde o MST foi criado.