Economia & Negócios

Janeiro é 'temporada de caça' ao emprego

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Janeiro é o mês em que se registram os recordes de inscrição nos órgãos municipais de encaminhamento ao mercado de trabalho. Até a semana passada, o Centro de Estudos e Pesquisa para Encaminhamento ao Trabalho (Cepet) já havia efetuado mais de 600 cadastros, entre novos e atualizações. A Central de Mão de Obras, que costuma receber uma média de 100 inscrições mensais, já registrava mais de 50 nos primeiros dez dias úteis do ano.

De acordo com a psicóloga Rosane Aparecida Seabra Prudente, chefe da seção de encaminhamento ao mercado de trabalho do Cepet, o perfil de quem procura as vagas está na faixa dos 18 anos aos 35 anos, predominantemente mulheres, com o ensino médio completo. Acima de 35 anos, a maioria dos inscritos é do sexo masculino. “Entre 35 e 50 anos, o número de homens cadastrados é bem maior”, afirma.

Para Rosane, a maior procura por emprego em janeiro pode ser reflexo das “resoluções de Ano Novo”. “Janeiro é o mês com maior procura, por conta do recadastramento que nós fazemos, do fim dos empregos temporários e também aquela coisa de ‘renovar a energia’”, diz. “A pessoa pensa em melhorar de vida, e arrumar um emprego é um primeiro passo”, completa a psicóloga.

Entre os novos inscritos, quase 10% estão em busca do primeiro emprego. Segundo Rosane, com a dificuldade de colocação no mercado, muitos jovens estão procurando o Cepet para começar a carreira profissional.

Um exemplo desse “novo candidato” é a estudante de pedagogia Keila Moraes de Souza, 19 anos, recém-formada no magistério. Ela resolveu se inscrever neste início de ano para ajudar nas contas de casa e custear material escolar e transporte para a faculdade, que freqüenta com bolsa obtida através de serviços prestados ao Programa Escola da Família do governo estadual.

“Eu mandei currículo para algumas escolas, mas ainda não obtive resposta”, diz Keila. Por enquanto, ela afirma que pretende investir seus esforços na área da educação, mas tem consciência de que o mercado está bastante afunilado. “Além de competir com os professores já formados há mais tempo, eu tenho que competir com meus colegas, que também acabaram de sair do curso. Foram 217 formandos, e a maioria segue na área”, constata.

Em contrapartida, há quem não esteja procurando por nada específico para inaugurar a carteira de trabalho. Guilherme de Paula Sôniga, 18 anos, formou-se no ensino médio e conta que já fez muitos bicos, de vendedor de garapa no Centro da cidade a trabalhos de garçom. Ele fez curso de informática e pretende cursar faculdade de geografia, mas não tem restrições quanto ao primeiro emprego formal. “No momento, estou aceitando o que aparecer”, diz.

Carteira de motorista

Segundo a assistente social Rosemeire Santos Kene, coordenadora da Central de Mão de Obras, a qualificação profissional é muito importante para abrir o leque de oportunidades, embora as vagas oferecidas em maior número exijam não muito mais que carteira de motorista: a de representante comercial. “Às vezes é exigido o curso médio, mas o que precisa mesmo é de carro ou moto”, diz.

Para Rosane, do Cepet, outra novidade interessante é a oferta de vagas “programadas” para os meses seguintes a janeiro. “As empresas estão planejando, mais querem mais tempo para selecionar. Tenho vagas aqui para fevereiro”, diz.

Segundo a psicóloga, a época atual é de poucas vagas para o comércio. “A maior parte das vagas é oferecida pela indústria e por prestadoras de serviços”, observa. Atualmente, o Cepet tem quase 9 mil cadastrados, mas não há estatísticas sobre a porcentagem de colocação no mercado.

Comentários

Comentários