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Bauru e SP : um intenso intercâmbio

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Trezentos e cinqüenta quilômetros separam as duas cidades. Uma tem quase 11 milhões de habitantes e está completando 450 anos hoje; a outra, contabiliza cerca de 316 mil habitantes e vai fazer 108 anos em agosto. O que esses dois municípios teriam em comum? A resposta: um forte intercâmbio de moradores.

O fluxo é grande entre São Paulo e Bauru, principalmente depois que as rodovias Marechal Rondon e Castelo Branco transformaram-se numa rápida e larga “avenida” de acesso à Capital. Há muita gente que troca a “terra da garoa” pela tranqüilidade do Interior. Mas também é grande o número de bauruenses que se muda para lá buscando oportunidades profissionais e uma nova vida.

Quem vai, leva um pouco de Bauru para São Paulo; e quem vem, traz o sotaque e as lembranças Capital do Estado. Para algumas pessoas, o amor é tão grande, que só mesmo se dividindo entre as duas cidades para compensar esse sentimento.

Como é o caso de Salvador Cabello Filho e Lucinha Svízzero Cabello. Eles viajam pelo menos uma vez por mês para São Paulo, onde os filhos moram atualmente. “Eles foram para lá estudar e sempre que temos uma oportunidade, vamos visitá-los”, diz Lucinha.

Ela conta que, quando se casou, em 1979, mudou-se para São Paulo, onde o marido fazia residência na faculdade de medicina. “Foi lá que meus filhos nasceram”, lembra.

Por coincidência, hoje, Luciana e Bruno Svízzero Cabello moram na mesma avenida que os pais residiram há 25 anos. “Tudo é muito familiar naquele bairro (Higienópolis) e nos sentimos em casa quando estamos em São Paulo”, diz Lucinha.

Reunida, a família sempre curte os variados programas culturais da cidade, como teatro, cinema, restaurantes. “Mas a nossa preferência é por shows musicais”, destaca Lucinha.

Embora tenha uma grande paixão pela Capital, ela e o marido dizem que têm fortes raízes em Bauru. “Eu adoro ir para São Paulo. Mas, na volta, ao se aproximar de Bauru, meu coração bate mais forte”, conta.

Para ilustrar bem essa dualidade de sentimentos, Lucinha descreve a sensação de sobrevoar as duas cidades. “Quando vou de avião, minhas emoções se confundem. Tanto faz se estou pousando em São Paulo ou Bauru, a alegria é a mesma”, frisa.

Por aqui, ela e o marido cultivam suas raízes. Lá, eles estendem suas amizades e curtem a vida em família. “Temos amigos bauruenses que sempre encontramos lá, como o professor Damásio (Evangelista de Jesus)”, destaca.

Já a família Soares fez o que muitos paulistanos sonham realizar: fugiu da correria da Capital para se refugiar na tranqüilidade do Interior. A dona de casa Maria Stela de Sousa Soares conta que sempre quis ter um quintal espaçoso, com muitas árvores, e um fogão a lenha, desejos impossíveis de alcançar em São Paulo. “Realizei tudo isso aqui”, diz, satisfeita.

Tudo começou quando o filho Jarbas Soares veio cursar jornalismo na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. “Nós tínhamos um dinheirinho guardado e resolvemos investir numa casa para ele morar”, diz Maria Stela.

Logo depois, a filha Érica Soares veio passear na cidade e acabou arrumando emprego na sua área de atuação – hotelaria.

Como Érica tem uma filha, Maria Stela precisou se mudar para Bauru para tomar conta da neta enquanto ela trabalhava e Jarbas estudava.

Não demorou muito para o esposo Etevaldes de Sousa Soares e a filha Taís Soares seguirem o mesmo rumo e se instalarem na cidade. “Nós nos apaixonamos por Bauru”, relata Maria Stela.

Hoje, quatro anos depois da mudança, a família tem outro ritmo de vida, considerado por ela bem mais saudável. “Vivemos numa pequena chácara, onde cultivamos a qualidade de vida”, ressalta a dona de casa.

Ela ainda mantém um grande amor por São Paulo, cidade na qual viveu por 40 anos. “Tenho saudades dos meus vizinhos e da rua 25 de Março. Eu adorava ir lá fazer compras”, destaca.

Para compensar essa falta, os amigos paulistanos sempre aparecem para visitar a família Soares e, de vez em quando, Maria Stela dá um pulinho na capital para fazer suas compras.

Sanduíche bauru

Enquanto o cuscuz paulista é considerado o prato típico paulistano, o sanduíche bauru é eleito o lanche que mais tem a cara da Capital do Estado. A opinião é do colaborador do Conselho Regional de Nutrição (CRN-3), Welliton Donizeti Popolim.

“Esse lanche tem até as cores da bandeira paulista”, salienta. Segundo ele, a história da criação do prato pelo estudante bauruense Casemiro Pinto Neto é genuinamente paulistana. “O sanduíche surgiu no Largo do Paissandu, onde a boemia começou a fervilhar no início dos anos 30”, destaca.

A receita original leva pão francês, queijo derretido, rosbife, tomate e pepino e é uma das preferidas dos apressados paulistanos.

O virado a paulista também ganhou votos na eleição feita entre os nutricionistas. Embora alertem para as calorias do prato os profissionais dizem que ele é bastante apreciado nos bares e restaurantes tradicionais de São Paulo.

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