Bairros

Poços desativados devem ser aterrados com critério

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Os poços e fossas desativados devem ser aterrados e lacrados para evitar acidentes como o ocorrido anteontem no Jardim Gérson França. Duas mulheres ficaram levemente feridas ao caírem em um poço de cerca de oito metros de profundidade localizado no quintal da casa após o piso ter cedido, provavelmente por causa das chuvas constantes dos últimos dias.

Elas foram resgatadas pelos bombeiros. A orientação do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) é contratar um profissional capacitado para desativar o poço ou fossa. “É preciso contratar um geógrafo para preparar uma argamassa para concretar o poço e depois lacrá-lo. Só terra não resolve”, afirma a engenheira civil Yohino Nakasato, responsável pelo escritório técnico de Bauru do DAEE.

O capitão Jovelino Barbosa Lima Filho, sub-comandante interino do 12.º Grupamento do Corpo de Bombeiros, conta que acidentes como ocorreu no Jardim Gérson França não são comuns. Mas ele alerta a população a ficar atenta a trincas no piso e nas paredes das casas, o que pode indicar que a terra pode estar cedendo em função da existência de um poço ou fossa.

Ele ressalta que a queda em poços e fossas desativados pode causar conseqüências sérias. “Imagine uma pessoa idosa tomando sol no quintal e de repente o piso cede. Se não tiver ninguém por perto para prestar ajuda ou pedir socorro, ela pode morrer”, diz.

Ele reforça que a desativação de um poço ou fossa deve ser feita com critérios técnicos. “O ideal é que um técnico execute a obra ou dê orientação, ainda mais em Bauru, que tem um solo arenoso. Não pode usar entulho, mas sim terra”, diz.

Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil em Bauru, conta que o poço onde as duas mulheres caíram anteontem já está sendo aterrado. “Já foram oito caminhões de terra. Agora vamos deixar dar uma acomodada nesta terra para continuar. Tomamos o cuidado de colocar uma camada de areia no fundo para não contaminar o lençol freático”, frisa.

O DAEE é o órgão responsável pela concessão de autorização para a perfuração de poços e fiscalização. Todo poço perfurado sem autorização do órgão é considerado irregular e o dono do imóvel fica sujeito a multa entre 100 Ufesps (R$ 1.249,00) e 1.000 Ufesps (R$ 12.490,00). “Se houver denúncia, os fiscais fazem a fiscalização e aplicam a multa”, alerta Nakasato.

As regras para concessão para perfuração de poços e a fiscalização visam proteger o lençol freático de contaminação, explica Nakasato. Apesar da exigência de autorização, apenas 134 poços, entre zonas urbana e rural de Bauru, estão cadastrados no DAEE.

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