Turismo

O Lago do Xing

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Sergipe rima com São Francisco. Tudo porque o velho rio atravessa o Estado presenteando-o com belezas incomparáveis.

A 212 quilômetros de Aracaju fica Canindé de São Francisco e o quinto maior cânion navegável do mundo: o lago Xingó, formado há nove anos como conseqüência da construção da usina hidrelétrica do mesmo nome.

A beleza do lago, de águas verdes, impressiona. Há ali água suficiente para abastecer 2,5 milhões de piscinas olímpicas. Água que fez com que sumisse o antigo povoado de Canavieiras e o sítio arqueológico de Justino.

Ao longo do lago, vão se sucedendo paredões, de até 40 metros, que adquirem várias tonalidades ao longo do passeio.

No caminho, fixe os olhos na Pedra do Gavião, cujo formato lembra a cabeça da ave, e uma imagem de São Francisco de Assis, colocada em 1996 num altar incrustrado na rocha.

O auge acontece com a chegada à Gruta do Talhado, que tem um pier onde as embarcações atracam e os visitantes podem se banhar nas águas cristalinas e mornas do Velho Chico.

Além do passeio, a viagem a Canindé reserva aos turistas surpresas como o Museu de Arqueologia do Xingó (MAX), mantido pela Universidade Federal de Sergipe, pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco e pela Petrobrás.

Ali estão tesouros arqueológicos datados de 9 mil anos, encontrados durante as escavações para a formação do Lago do Xingó.

Vasculhe o museu e se hospede na Fazenda Mundo Novo, de José Augusto Lima, que revela aos visitantes como era triste a fase em que a seca era total na região e o gado morria à míngua.

Mandacarus e o trenzinho

Passear de trenzinho pelas trilhas que cortam a fazenda é uma viagem que faz com que a gente se sinta como pertencente ao bando de Lampião e Maria Bonita.

Há mandacarus - um cacto comum no Nordeste - e sítios arqueológicos como o Patrocina, com pinturas rupestres de séculos.

O trenzinho também leva às Toca de Lampião, lugar que abrigou o bando do cangaceiro inúmeras vezes e onde ainda existe a “pia”, onde Maria Bonita costumava se banhar. A “pia”, devido à disposição das pedras, acumulava água formando um espelho para a mulher do líder do bando (que foi degolada) se mirar.

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Gaviões e corujas

Pertinho de Aracaju, coisa de 30 quilômetros, fica outro lugar que faz a viagem a Sergipe se diferenciar de outras no Nordeste: o Parque dos Falcões.

Junto à Serra de Itabaiana, município de Areia Branca (o forró-pé-de-serra nasceu ali), José Percílio Mendonça Costa e seu leal escudeiro, Ricardo Alexandre Correia da Silva, cuidam e domesticam aves de rapina.

É o único lugar do mundo em que essas aves são criadas e alimentadas com autorização do Ibama.

Aos pés da Serra do Itabaiana, Costa mantém viveiros e uma casa que recebe os visitantes, inclusive, se quiserem, para dormir. As aves atendem os chamados dos donos e protegem a propriedade contra a invasão de qualquer estranho.

Para entrar lá, só com a permissão de Costa, Alexandre e das 300 corujas, gaviões e falcões, que consomem semanalmente 60 quilos de carne. Muitas aves chegaram ao parque com pernas quebradas e foram tratadas pelos rapazes que fazem até implantes de ossos, técnica aprendida com a irmã de Percílio, que é médica.

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