Apenas nos últimos dez dias, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru registrou três furtos a apartamentos em prédios residenciais da cidade. Em todos os crimes, as características são parecidas: vítimas alegam que deram por falta de dinheiro, jóias ou objetos de valor, sem o apartamento apresentar qualquer marca de arrombamento. Isso levanta a possibilidade de os criminosos serem moradores dos prédios ou pessoas de confiança.
“Não gosto de falar em possibilidades”, pondera o delegado J.J. Cardia, que está coordenando as investigações da DIG. “Depois da investigação pode mudar tudo. As características parecidas podem ser apenas coincidência”, completa.
O delegado, porém, considera limitada a influência da Polícia nesses casos. “Se o prédio tem portaria, ela é a reponsável pela entrada de pessoas.”
Apesar de ainda não solucionados, os crimes servem para alertar a população para a modalidade do furto, ocasionado muitas vezes por falta de atenção das próprias vítimas.
Segundo empresas administradoras de condomínios consultadas pelo JC, a recomendação número um é não deixar a chave de casa com a empregada. “E em hipótese alguma na portaria”, alerta Roberto Fornazari, diretor de uma das empresas.
Fornazari também acha essencial o síndico ou a administração do condomínio manter um cadastro atualizado dos funcionários dos moradores, que têm livre acesso ao prédio. E completa: “A figura humana só não é suficiente. É necessário segurança eletrônica, se possível com circuito fechado de televisão, para que todos que circulam pelo prédio sejam notados”.
Fornazari discorda do delegado Cardia no que diz respeito aos porteiros. “Quando entra uma empregada no prédio ou alguém autorizado, a culpa passa a não ser da portaria”, afirma, aumentando a responsabilidade dos moradores.
Alerta
O gerente de outra empresa administradora de condomínios lembra a velha recomendação de não entrar na garagem se alguém suspeito estiver nas proximidades. “É melhor dar a volta no quarteirão”, diz Erlon Torquato Junqueira.
Além disso, a dica é nunca confiar em ninguém, seja empregada, porteiro ou qualquer outro prestador de serviço. “Tanto a chave quanto informações pessoais devem ficar sempre só com os moradores”, completa.
A privacidade vulnerável é muitas vezes justamente a causadora dos crimes. “O que intriga nesse tipo de furto é a informação. Além da chave, o criminoso sabe onde está o dinheiro e em que horas o apartamento está desocupado”, avalia Roberto Fornazari.
O delegado J.J. Cardia também faz suas recomendações: não deixar chave na portaria nem objetos de valor e dinheiro em casa. “Mas não tem muito o que orientar”, diz. E reitera: “Como é que a pessoa entrou? A culpa é da portaria.”