A presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista (Amicop), a terena Jupira Manoel Sobrinho, tem despontado como uma liderança feminina nas terras de Araribá, em Avaí (39 quilômetros a Noroeste de Bauru).
Na presidência da entidade, Jupira conseguiu dar início ao primeiro projeto agrícola das índias terenas e guaranis nas aldeias Kopenoty, Pyhau e Tereguá.
O objetivo do projeto, que teve início em junho do ano passado e envolve cerca de 30 mulheres, é criar um caminho para a auto-sustentação das índias, extinguindo a necessidade do trabalho como bóia-fria em fazendas vizinhas. A primeira colheita está prevista para este ano, entre maio e junho.
Outra iniciativa em andamento em Araribá e que envolve a população feminina é a realização de um curso de corte e costura para geração de renda. “Nós temos o objetivo de criar uma oficina aqui na aldeia”, diz.
Para tanto, Jupira tem batalhado alguns apoios em Brasília. A terena já conseguiu junto à Embaixada da Nova Zelândia uma verba de R$ 12 mil para investimento no projeto agrícola das índias. Agora, ela está negociando a liberação de recursos junto à Embaixada do Japão, visando a criação do espaço de corte e costura.
Segundo ela, o próximo projeto para a aldeia será encaminhado ao Ministério da Cultura e envolve a construção de um centro cultural na reserva indígena.
“O objetivo é ter um espaço para contar a história dos terenas, desde quando nós chegamos aqui em São Paulo. Porque nós somos, na verdade, remanescentes do Mato Grosso do Sul”, explica.
Em 2002 e 2003, a terena intermediou a realização dos dois primeiros seminários das mulheres indígenas do Centro-Oeste Paulista. “Eu luto pelo desenvolvimento da mulher indígena, desenvolvimento auto-sustentável, geração de renda e promoção da auto-estima das mulheres”, afirma. “Nós estamos acreditando que vamos ter um mundo mais digno na nossa reserva.” Apesar dos significativos resultados conquistados por meio dessas iniciativas, Jupira afirma que ainda são muitos os desafios das mulheres de Araribá. “Acho que o nosso maior desafio mesmo é conquistar a confiança dos homens”, diz.