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Estudantes de pedagogia cobram a contratação de professores efetivos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 150 alunos de pedagogia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru decidiram que irão boicotar as aulas do curso até que a reitoria da instituição manifeste a intenção de realizar concurso público para a contratação de professores efetivos. Segundo eles, a grande quantidade de profissionais temporários ministrando aulas como conferencistas está prejudicando os estudantes.

Uma das coordenadoras do movimento, a aluna Renata Zuliani, afirma que a situação do curso, criado há três anos, foi se agravando ao longo dos últimos semestres. “Praticamente não temos mais nenhum professor em regime de dedicação integral, porque eles se aposentaram. Há um déficit imediato de sete profissionais”, comenta.

Inconformados com a situação, os alunos realizaram uma assembléia na segunda-feira e aprovaram a paralisação. Ontem à noite, eles fizeram um protesto em frente à biblioteca do câmpus. Hoje, terão um encontro com a direção da Faculdade de Ciências (FC) para discutir o assunto.

Segundo Zuliani, um dos principais problemas dos conferencistas é que eles só podem atuar durante 89 dias, tempo insuficiente para completar o semestre. “Temos que arcar com o ônus da falta nas aulas restantes”, argumenta.

Ela também critica a qualidade das aulas ministradas pelos conferencistas. “Há aqueles que realmente trabalham, mas a nossa preocupação é com o nível de comprometimento deles com o curso e o nosso projeto pedagógico”, diz.

Os alunos de pedagogia voltarão a se reunir amanhã para avaliar o resultado do encontro com a direção da FC. No sábado, eles pretendem realizar uma caminhada pelo Calçadão, com início previsto às 9h, na Praça Rui Barbosa.

Zuliani conta que os estudantes estão tentando mobilizar colegas de outras áreas do câmpus para integrarem o movimento. “Já entramos em contato com praticamente todas as licenciaturas, como biologia, química, educação física, matemática e psicologia. Também vamos conversar com os outros cursos”, revela.

O diretor da FC, José Brás Barreto de Oliveira, afirma que tomará conhecimento oficial das reivindicações dos alunos durante o encontro de hoje. Ele afirma, porém, que a decisão de contratar professores cabe à reitoria e que essa situação será explicada aos estudantes.

Um levantamento da Unesp de Bauru, realizado no início do último mês, apontou que 21,6% dos 361 professores ativos das três faculdades da instituição na cidade entraram com pedido de aposentadoria ou a conquistaram recentemente.

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