Um levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) aponta que as mulheres são maioria entre os formandos de todos os níveis de ensino do País. Na educação superior, por exemplo, nada menos que 63% dos concluintes são do sexo feminino, maior índice apontado pela pesquisa.
A pedagoga Marisa Albuquerque, da Universidade do Sagrado Coração (USC), afirma que não há uma explicação científica para o fenômeno. “Na escola, você parte do princípio que todos têm a mesma capacidade para aprender”, argumenta.
Ela aponta, porém, possíveis causas para essa diferença entre a quantidade de formandos dos sexos masculino e feminino. “Acredito que as mulheres sejam mais persistentes. Além disso, talvez a formação escolar, para elas, represente uma ascensão social”, opina.
A educadora Vera Casério concorda. “Penso que a mulher é mais perseverante. Mesmo tendo, no caso do ensino superior, uma jornada que inclui emprego e família, ela ainda vai para a universidade. Percebo que o sexo feminino é, realmente, maioria em sala de aula e elas lutam até o fim. É até uma característica delas”, comenta.
Para ela, a supremacia de formandos do sexo feminino também está relacionada ao contexto histórico. “A postura da mulher, de lutadora e batalhadora, vem contribuir cada vez mais para a libertação dela do papel de dona-de-casa. Essa consciência crítica que ela veio adquirindo ao longo dos tempos faz com que a mulher seja mais perseverante na luta pelos seus objetivos”, declara.
Mercado
Casério acredita que as condições do mercado de trabalho também acabam prejudicando o sexo masculino. “Muitos homens têm uma jornada mais exaustiva, o que dificulta que eles concluam o curso. O desemprego também leva à desistência, porque a universidade, no caso das particulares, requer um investimento financeiro considerável”, diz.
Os dados do Inep comprovam a tese da educadora. No momento da matrícula no ensino superior, 43,5% dos alunos são homens. Já o número de formandos representa apenas 37% do total, o que indica que parte deles abandona o curso na metade do caminho.
A mesma constatação é feita em outros níveis de educação. O percentual de meninas matriculadas no ensino fundamental é até inferior ao de meninos, 49%, mas no momento da conclusão do curso são elas que levam vantagem, com 53,4% dos formandos da 8ª série. Já no ensino médio, 54,2% dos matriculados são do sexo feminino, percentual que sobe para 56,3% na formatura da 3ª série.
Para a dirigente regional de Ensino de Bauru, Célia Regina Pampani Borgo, a tendência é que essa diferença se amplie nos próximos anos. “Especialmente se os meninos não se derem conta da situação e se não quiserem progredir”, opina.
Segundo ela, a pesquisa do Inep aponta uma evolução do sexo feminino, que vem sendo conquistada ao longo dos anos. “Sempre houve, historicamente, um certo privilégio para que os meninos estudassem. Agora, as meninas estão mais determinadas a aprender e estão, paulatinamente, melhorando a qualidade do seu aprendizado”, diz.
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Bauru
A realidade apontada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) no País também é verificada em Bauru, embora não haja números disponíveis em todas as instituições de ensino consultadas pela reportagem.
Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, o curso de fonoaudiologia formou apenas um homem em 2003, contra 25 mulheres. Já a Universidade do Sagrado Coração (USC) calcula que cerca de 90% dos formandos da instituição sejam do sexo feminino. A explicação estaria na concentração de cursos que costumam atrair mais alunas do que alunos, como nutrição, pedagogia e fisioterapia.
Já na Instituição Toledo de Ensino (ITE), 51,7% dos concluintes de curso em 2003 eram mulheres.
A Diretoria Regional de Ensino (Dire) informou apenas o índice de aprovação geral, somando-se todas as séries. No caso do ensino fundamental, 52% dos alunos que passam de ano são mulheres.
Já no ensino fundamental, computadas de 5.ª a 8ª séries, o percentual se inverte, com os meninos representando 52% dos aprovados. Como a pesquisa do Inep indica que muitos alunos do sexo masculino desistem antes de concluir o último ano, há a possibilidade de que as meninas também sejam maioria entre as formandas, informação, porém, que não pôde ser comprovada pela Dire.
Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 50,78% dos brasileiros são do sexo feminino.