Tribuna do Leitor

Lei e moralidade


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Não há dúvida de que estamos na linha fatal de duas idades históricas, justamente na área nebulosa e cinzenta em que se confundem o certo e o errado, o bem e o mal, o belo e o horrível. Sofremos de uma perda de perspectiva. Atrás ficam costumes, deveres e modos de proceder que, pela sua própria permanência, tornando-se fatigantes. À nossa frente, as expectativas se desvanecem nos contrastes sociais e políticos, econômicos e até religiosos. T. B. Bottomore admite ter sido “a existência da pobreza em meio de grandes e crescentes forças produtivas a responsável pela modificação de perspectivas segundo as quais ela deixou de ser um problema natural para tornar-se um problema social”. Tem razão o grande sociólogo, porque a pobreza é uma conseqüência trágica da organização elaborada pelo homem. No mundo, hoje, dois pólos economicamente poderosos se completam armados de altos e sólidos padrões de vida de seus povos. Pois, se o comunismo é um paraíso para a Rússia, o capitalismo o é para os Estados Unidos. E entre eles, sofrendo-lhes as terríveis conseqüências, então, as nações subdesenvolvidas, algumas das quais ironicamente chamadas de “países em desenvolvimento” na alquimia dos tecnocratas. O nosso Brasil é uma delas. Foi justamente a superabundância de riquezas, em meio de plena liberdade, na terra de Washington, que narcotizou uma considerável parcela da sua juventude, levando-a ao ócio e ao desregramento. Seus lamentáveis exemplos penetraram os países pobres, onde, em pouco tempo, isolava-se a juventude, num procedimento marcado pelo grotesco, desde a maneira de trajar-se até a música desvairada, desde os tóxicos até o sexo livre! Como conseqüência lógica, pois, aquilo que antes da Segunda Guerra Mundial era imoral ou legal, passou a marcar, desbragadamente, o nosso cotidiano, através, principalmente, da televisão: palavrões, nudez, gestos obscenos, insensatez, insensibilidade. Até quando?

João Álvares - da Associação Paulista de Imprensa - Reg. 2069

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