Economia & Negócios

Venda de peixe sobe 25% na Quaresma

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Embora a tradição católica de só consumir carne de peixe na Quaresma não seja tão forte como já foi no passado, a venda do produto continua dando saltos significativos nessa época do ano.

De acordo com levantamento feito por uma peixaria localizada na quadra 13 da rua Virgílio Malta, as vendas crescem entre 20% e 25% na Quaresma. Na Semana Santa, a procura por carne de peixe aumenta ainda mais, chegando ao patamar de 50% em comparação ao que é vendido no resto do ano.

Em uma rede de supermercados da cidade, o aumento das vendas na semana que antecede a Páscoa é ainda maior. A empresa chega a comercializar 70% a mais de bacalhau do que normalmente o faz nos outros meses do ano. São quase 3 toneladas do produto vendidas em apenas uma semana.

Em relação aos peixes frescos, a venda aumenta um pouco menos, mas, mesmo assim, alcança um patamar expressivo, chegando em torno dos 60%. Desse grupo, os peixes mais consumidos são o salmão, o pacu e o filé de merluza.

Na Quaresma, a exemplo do que acontece na peixaria consultada pela reportagem, o aumento no supermercado fica em torno dos 25%.

Em comparação ao ano passado, as vendas apresentam um crescimento tímido, segundo informações da rede - cerca de 5%.

Embora a procura por carne de peixe sempre aumente na Quaresma, ela não se restringe apenas a essa época do ano. Segundo a proprietária da peixaria, Maria Lúcia Pasquarelli, nos últimos anos houve um crescimento geral nas vendas.

“Antigamente, os consumidores comiam peixe só na Quaresma. Hoje, isso acontece o ano todo”, comentou ela.

E a venda continua crescendo. Em comparação com o ano passado, a rede de supermercado consultada pela reportagem registrou um crescimento de 3% nas vendas de peixe, nos três primeiros meses de 2004.

Quanto aos preços, Maria Lúcia informou que eles são praticamente os mesmo do ano passado. “Em comparação com o ano passado, não subiu quase nada”, disse.

No entanto, os consumidores ainda não se acostumaram com os valores que estão sendo cobrados. É o caso da professora Deise Zamariolli, 52 anos, que estava ontem em um supermercado da cidade pesquisando preços.

Assim como o bacalhau, peixe típico dessa época do ano, os valores, na opinião dela, estão um tanto “salgados”.

Deise entra na estatística dos consumidores que passaram a consumir peixe o ano todo, mas na Quaresma ele é obrigatório. “É uma tradição de família, que vem de outras gerações, não consumir carne vermelha na Quaresma”, explicou ela.

Laura Martinelli, 75 anos, foi outra consumidora flagrada pelo JC pesquisando preço de peixe. Depois de olhar atentamente a embalagem de vários tipos de pescados, ela saiu de mãos vazias.

Em conversa com a reportagem, ela disse que tem costume de comer carne de peixe, mas “só quando encontra um bom produto e que não seja caro”.

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