Política

Vereadores admitem gravidade e não descartam pedido de CEI

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Um silêncio como não se via há anos na Câmara Municipal de Bauru tomou conta do plenário no momento em que o vereador João Parreira (PSDB) soltou no ar a fita na qual está gravado o diálogo que manteve com o secretário de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto. Encerrada a conversa, os parlamentares foram unânimes nos comentários: “É grave”. O vereador Toninho Garmes (PSDB) foi mais incisivo: “É caso de Comissão Especial de Inquérito (CEI)”, avisa.

O tucano, porém, diz que a bancada da oposição não vai se apressar na articulação do pedido de CEI porque existem outras fitas que comprometeriam a administração municipal e que devem ser divulgadas. “Isso tem que ser apurado até as últimas conseqüências. É caso de polícia”, reforça Garmes.

O ponto da conversa que mais impressionou os vereadores foi quando Duarte fez um rápido comentário sobre as denúncias de irregularidades da compra da carne. “É grave o comentário de que se ele (Raul) falasse o que sabia do problema da carne, o prefeito não retornaria ao cargo”, analisa Luiz Carlos Valle (PSB).

“Isso dá a entender que existe um esquema de propina na prefeitura”, arremata o socialista. O conteúdo do diálogo assusta até mesmo aos vereadores da bancada da situação. Majô Jandreice (PCdoB), exige que o secretário dê um “esclarecimento melhor” sobre a conversa. “É, sem dúvida, um assunto delicado”, afirma.

O tom do discurso dos parlamentares aponta para a apuração rigorosa dos comentários. “Essa fita vai para o Ministério Público e lá a investigação deve ser aprofundada”, diz Paulo Eduardo Martins Neto (PFL).

A atitude de Parreira de trazer o conteúdo da fita à tona foi elogiada por Faria Neto (PDT). “As vezes as pessoas criticam os vereadores por omissão. E quando se toma uma atitude corajosa, também somos alvos de críticas. Acho que chegou a hora de o prefeito tomar uma atitude séria com relação a sua administração”, comenta Faria.

Desabafo

O vereador Milton Dota Jr. (PTB) destoou do discurso de seus colegas de plenário. Na avaliação dele, o secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, fez apenas um “desabafo” na conversa que manteve com o vereador João Parreira (PSDB).

“Acho que a conversa ocorreu num momento em que havia a possibilidade de o prefeito Nilson Costa se afastar da administração por conta da pendência no Tribunal de Justiça. O conteúdo da fita é inócuo e não representa nenhum fato que possa compremeter a administração municipal”, analisa.

Sobre o grau de parentesco de Duarte com o vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL), o petebista foi irônico. “Agora eu entendo porque há desvio de personalidade neles. É uma questão genética. Os dois têm a mesma conduta: quando perdem, atiram naqueles que faziam parte de seu grupo político”, alfineta.

Mas mesmo diante de uma situação constrangedora, Dota Jr. defende a permanência do secretário na equipe de governo. “Nessa altura do campeonato, trocar o secretário de Finanças é temerário. Ele tem que terminar o governo.”

Comentários

Comentários