Pode não parecer, mas deixar a torneira aberta por cinco minutos enquanto se escova os dentes gasta, no mínimo, 10 litros de água potável, tratada e... desperdiçada. Dessa forma, se 90% dos 330 mil habitantes de Bauru escovarem os dentes pelo menos uma vez ao dia são 3 milhões de litros. Levando-se em conta que a Sociedade Brasileira de Odontologia recomenda no mínimo três escovações diárias, uma após cada refeição, esse número triplica e pode chegar à casa dos 10 milhões de litros que vão pelo ralo, quando 180 mil litros seriam suficientes.
Essa advertência vem sendo feita por Kláudio Cóffani Nunes, presidente do Instituto Ambiental Vidágua, nas palestras educativas pelas paróquias de Bauru, integrando a série de atividades da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica deste ano, cujo tema é “Água: Fonte de Vida”.
Nunes aponta que no Brasil, o desperdício de água chega a 70% nas residências, sendo que até 80% do consumo de água residencial é gasto no banheiro, onde as válvulas de descarga são vilãs ainda maiores que as torneiras.
Em Bauru, segundo estudos do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e do Vidágua, praticamente metade da água produzida pelo rio Batalha e pelos 28 poços existentes na cidade é desperdiçada. Além disso, o município conta com um índice de perda de 30% originária de vazamentos pelo sistema hidráulico, até mesmo o roubo em ligações clandestinas.
“É um índice muito alto. Em outros países, esse número oscila entre 12% e 15%. No Japão, a perda é de 7%, pois eles já conseguiram implantar programas de controle”, acrescenta o ambientalista Rodrigo Agostinho.
Mas o primeiro passo para que esses programas sejam implementados é a própria conscientização da população, adverte Kláudio Cóffani Nunes.
Ele revela que o consumo de água nas descargas de válvula na parede chega até a 20 litros por toque. O que equivale a 6 milhões de litros, se usarmos o mesmo cálculo: um único uso diário em 300 mil habitantes.
As alternativas são simples. No caso das descargas, hoje a indústria de materiais de construção já substitui as válvulas de parede por caixas de descarga, que consomem apenas 6 litros por toque, o que é considerado um gasto satisfatório.
“Para escovar os dentes, a dica é simples: basta ter um copo com água, como se vê nos filmes americanos, molhar a escova e depois da escovação fazer um bochecho. Para isso não se gasta mais que 200ml de água”, alerta Nunes.
Ações concretas
A campanha da fraternidade tem sido uma grande fomentadora da economia de água e da preservação dos rios e matas. Segundo o presidente do Vidágua, a cada palestra nas paróquias, ele se surpreende com o número de participantes.
Na tarde de ontem, numa parceria com várias instituições, dezenas de fiéis da paróquia de Santa Rita plantaram 2 mil mudas de 25 espécies nativas entre ingás, tarumãs e ipês nas margens do córrego da Água Comprida, próximo ao Sambódromo, que acaba de ser despoluído. Participaram da iniciativa a Associação de Recuperação Florestal e Ecológica da Região de Bauru (Aciflora), que doou as mudas, o Instituto Vidágua, as secretarias municipais de Agricultura, Administrações Regionais e Meio Ambiente, o DAE e escolas infantis.
Pela manhã, o DAE também realizou, em comemoração ao Dia Mundial da Água (22 de março), uma caminhada que partiu da Estação de Tratamento de Água (ETA) e percorreu cerca de 3 quilômetros até a captação do Rio Batalha, onde foram plantadas 100 mudas de árvores nativas.
Dicas para economizar
* Lavar a louça com a torneira da pia meio aberta, durante 15 minutos, gasta 243 litros de água. Para economizar, ensaboe as louças e talheres e depois enxágüe tudo de uma só vez.
* Um banho demorado chega a gastar de 95 a 180 litros de água limpa. Banhos de, no máximo, 5 a 15 minutos economizam água e energia elétrica.
* Para o automóvel, o correto é a utilização de balde ao invés de mangueira. Uma mangueira ligada o tempo todo durante a limpeza do veículo consome até 600 litros de água. Com um balde, no máximo, 60 litros.
* Uma torneira aberta gasta 12 a 20 litros por minuto e, pingando, 46 litros por dia.
* Muitas pessoas costumam utilizar a mangueira como vassoura e desperdiçam muita água durante a lavagem das calçadas. O certo é usar vassoura e, quando necessário, um balde, em vez de deixar a mangueira aberta o tempo todo gastando até 300 litros de água. “Hidroterapia se faz na piscina”, aconselha Klaudio Cóffani Nunes, presidente do Instituto Ambiental Vidágua.