Bairros

Prefeitura não consegue manter praças já urbanizadas

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Um problema já mencionado acima é a falta de praças. Outro é a deficiência na manutenção daquelas já existentes. O titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Luís Pires, afirma que os recursos pessoais e materiais de que a pasta dispõe são insuficientes para manter o trabalho em dia.

“São mais de 500 locais na cidade. É humanamente impossível a prefeitura manter isso sozinha. O grande problema hoje é a manutenção de áreas verdes”, desabafa Pires.

Ele afirma que a situação é delicada. “Nós não temos estrutura para manter todas essas áreas. Nem a Secretaria de Meio Ambiente, nem as regionais administrativas”, reforça.

Uma das alternativas que a prefeitura tem buscado e que está mostrando os primeiros resultados são parcerias com a iniciativa privada para manter as praças. A empresa fica responsável pelo trabalho e, em troca, recebe autorização para explorar a propaganda institucional através de placas instaladas no local.

Isso já pode ser observado, por exemplo, nas novas rotatórias da avenida Getúlio Vargas. As empresas urbanizam a área e as mantêm por cinco anos. Vencido esse período, o contrato pode ser renovado.

Por enquanto, a quantidade de empresas que se interessaram pela parceria ainda é pequena. Mas o secretário acredita que, quando outros empresários começarem a observar as placas em locais visíveis, também deverão se interessar pela novidade. “Para uma empresa manter uma praça na cidade, o custo é baixíssimo”, salienta Pires.

Outra dificuldade que a Semma vem encontrando na formalização de parcerias é a documentação necessária para assinatura do contrato. É exigido que a empresa esteja regularizada em diversos quesitos e perante diferentes órgãos públicos. Muitas delas não estão e por isso não podem participar.

Na forma legal de se fazer isso é através de licitação pública, para permissão de uso dessa área. Infelizmente, nem todas as empresas estão em dia com suas responsabilidades”, justifica o titular da Semma.

Outra possibilidade é incentivar moradores a adotar as praças dos bairros em que moram. Nesses casos, a Semma providenciaria a urbanização dos terrenos que ainda são baldios e os moradores assumiriam os cuidados com a praça.

“Uma área verde bem mantida é valorização dos imóveis dos moradores. Quem mora em frente a uma possível área verde hoje destinada a depósito de entulho tem sua casa depreciada”, argumenta o secretário.

Ele explica que, caso essas parcerias não sejam firmadas, não há solução a curto prazo e as pessoas terão de se contentar com, em média, duas inaugurações de praça por ano, além de manutenção inadequada.

“É obrigação da prefeitura manter. Acontece que demoraria muitos e muitos anos para urbanizar o passivo que a prefeitura tem de todas essas áreas que foram ao longo de 100 anos destinadas à área verde”, enfatiza.

A longo prazo, Pires diz que a Semma e a Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear) deverão ser reestruturadas para urbanizar e manter todos os parques, bosques e novas praças previstos no novo Plano Diretor. “Que se equipem melhor para isso”, frisa.

Comunidade

Em determinados bairros, a população, cansada de esperar por uma ação da prefeitura municipal, decidiu colocar a mão na massa. É o caso do Parque União, onde um morador aposentado adotou a praça.

“Seo Celso”, como é carinhosamente conhecido pela vizinhança, é responsável pela jardinagem, poda, irrigação das plantas, além da varrição da praça. Ele trata o local como uma extensão de sua casa e passa boa parte do dia na praça.

Eventualmente, com ajuda de outros moradores, Celso faz até reparos em bancos e mesas. Recentemente, ele consertou um banco de concreto quebrado. Os vizinhos ajudam com sobras de materiais de construção e ele executa o serviço.

O trabalho na praça, que fica entre as ruas Holmes Soares da Costa e Antônio Quággio, já tem cerca de 20 anos. E a população reconhece. “Ele gosta muito e faz por amor. Nossa praça é muito bem cuidada, se comparada a outras na cidade. Mas, se dependesse da prefeitura, estaria ruim”, diz Ana Lúcia Vieira, moradora do Parque União.

Quem não reconhece o trabalho são pessoas que praticam vandalismo no período da noite. Eles estragam bancos e mesas e deixam lixo no local. Ana Lúcia acredita que são adolescentes de outros bairros.

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