Polícia

Rapaz é preso por assassinato em frente à escola

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Um acesso de fúria pode render a André Ricardo Francisco até 30 anos de prisão. Ele foi preso ontem acusado de ter matado Carlos César Barbosa Moreira em frente à escola estadual Carlos Chagas, na Vila São Paulo, há dez dias. Os dois, com 18 anos, se desentenderam depois que Carlos foi tirar satisfação com um outro adolescente, que teria conversado com a namorada dele.

“Ambos chegaram a entrar em luta corporal, ocasião em que os amigos dos dois interferiram. Passada duas horas, as duas turmas voltaram a se encontrar e André acabou sacando um revólver que trazia na cintura. O primeiro disparo atingiu o peito da vítima”, conta o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J Cardia.

De acordo com ele, Carlos chegou a correr, mas André efetuou outros disparos, ferindo também Altemar da Silva Pereira, atingido nas nádegas, posteriormente socorrido, medicado e liberado pelo pronto-socorro. Carlos não teve a mesma sorte e morreu no local.

“Após os fatos, André tomou rumo ignorado. Foi expedido o mandando de prisão temporária por 30 dias. Localizado, André confessou a autoria do delito. No dia, ele saiu da sua casa armado com um revólver calibre 32. Disse que retornou ao local da briga e viu Carlos, que teria feito gesto colocando as mãos sobre a camisa. Ele sacou a arma e atirou”, informa o delegado.

Segundo Cardia, a pena para homicídio simples varia entre seis e 20 anos. Mas se a morte for considerada um crime qualificado, ou seja, provocado por motivo torpe ou com emprego de tortura ou numa emboscada ou ainda em situação que dificulte a defesa, ele pode pegar até 30 anos de reclusão.

Até o julgamento, André deve permanecer preso. Ontem ele foi recolhido à Cadeia Pública de Avaí, onde deve ficar por mais de 30, se não for transferido ao Centro de Detenção Provisória (CDP). Enquanto cumpre a prisão temporária, a polícia pedirá a prisão preventiva, que poderá mantê-lo preso até seu julgamento.

“É uma pena (tudo o que aconteceu). Eu tenho abordado os jovens pedindo que eles repensem suas atitudes. Não tenho nem palavras para dizer a uma mãe que perde seu filho nessas circunstâncias”, diz a diretora do Carlos Chagas, Maria Eunice Borges de Miranda.

De acordo com ela, apesar da tragédia, a rotina da escola continua a mesma, mas com policiamento reforçado. Confirma a informação o comandante da Base Comunitária de Segurança Leste, tenente Alessandro Rosseto da Silva.

“Mantivemos policiamento com motocicletas, viaturas e com a Base Móvel na entrada, intervalos e saída dos alunos. Normalmente, acompanhamos apenas um desses horários porque nos revezamos entre as 25 escolas públicas dessa área”, informa.

Segundo ele, o homicídio não teve relação direta com a escola. Concorda com ele Sueli Batista dos Santos, que tem dois filhos estudando na unidade. “Não mudou nada. A rotina é a mesma. O que não combina é a mistura entre adolescente e arma. Aliás, arma não combina na mão de ninguém”, alerta.

Só em março, a Base Comunitária de Segurança Leste apreendeu 12 armas. André tinha a sua há dois anos. “Arma na mão de qualquer pessoa é perigosa, na de adolescente ainda mais por causa da impulsividade. A adolescência é uma fase de questionamentos, emoções mais fortes e falta de ponderação”, conclui psicóloga Ana Cristina Pereira.

Na opinião dela, a questão socioeconômica, a educação e o contexto familiar podem tornar a situação ainda mais explosiva.

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