Economia & Negócios

Sindicato aguarda demissões de bingos

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Bauru (Sechorbs) recebeu ontem o gerente e 15 funcionários do Bingo Cidade para adiantar conversas relacionadas à possível demissão em massa dos 50 funcionários diretos da casa, fechada desde o dia 20 de fevereiro. No Royal Bingo, o gerente Régis Coelho da Silva aguarda decisão judicial referente a uma liminar impetrada pela empresa pedindo a volta do funcionamento.

De acordo com Silva, se a liminar (protocolada na última sexta-feira) não autorizar o funcionamento do bingo, as demissões de 45 pessoas serão inevitáveis. Por outro lado, se hoje de manhã a decisão liminar for favorável à casa, o gerente afirma que o público voltará a ser atendido já no período da tarde. A reportagem não conseguiu localizar ninguém do Bingo Plaza.

“Se a Justiça não autorizar a volta do funcionamento, as demissões serão automáticas. Os funcionários com menos de um ano de contrato já foram dispensados e 45 pessoas estão de aviso prévio. Não dá mais para continuar com essa situação porque desde fevereiro a casa está fechada, só contabilizando despesas”, diz o gerente do Royal Bingo.

Ontem, no Sechorbs, o gerente do Bingo Cidade - que entrou com liminar na Justiça no dia 25 de março -, José Augusto Batistela, também lamentava a situação. Segundo ele, para a próxima quarta-feira está marcada uma nova reunião com os funcionários. Se até lá o Senado não votar favoravelmente à volta dos bingos e a liminar não for favorável à empresa, todos os 50 empregados diretos da casa serão demitidos.

“Todos nós estamos sofrendo com essa situação. No meu caso, por exemplo, será difícil arrumar outro emprego porque já tenho 45 anos. Estamos aqui no sindicato hoje (ontem) para chegar a um acordo com os funcionários, já que não será possível o pagamento de todos os direitos trabalhistas, como férias vencidas, por exemplo. Mas fazemos questão de pagar o FGTS e o seguro desemprego”, afirma Batistela.

Medo

Cícero Batista Garcia, 46 anos, trabalhava há três anos no Bingo Cidade e teme pelo seu futuro por já ter uma idade avançada para a média do atual mercado de trabalho brasileiro.

“Nós ainda temos um fio de esperança, mas estou muito preocupado. Eu tenho esposa e três filhos, e o sustento da casa e da minha família depende de mim. Desde que o governo mandou fechar todos os bingos, nunca se preocupou com os cerca de 300 mil desempregados que iriam ficar em todo País”, reclama Garcia.

Delmara Cristina de Oliveira, 39 anos, que trabalhou no Bingo Cidade por quatro anos, diz que está procurando emprego há algum tempo, mas não conseguiu nada.

“O mercado de trabalho está muito fechado, e com o passar do tempo a idade vai se tornando uma inimiga nesse sentido. Tem gente (colegas que trabalhavam no bingo com ela) que já não tem mais dinheiro nem para comprar comida. Estamos tentando nos ajudar uns aos outros”, observa.

Solidariedade

Marcos César Cidrinho, 34 anos, reitera. “Solidariedade é o que não tem faltado entre nós, mas chega um momento que a gente não consegue mais ajudar ninguém, porque as dificuldades são imensas para todos”, lamenta.

O presidente do Sechorbs, Francisco Pereira de Andrade, diz que está negociando com as empresas para o bem dos trabalhadores. “Sabemos que o sindicato não pode abrir mão dos direitos dos empregados, mas numa situação como essa, em que o fechamento das casas é alheio à vontade dos proprietários, é preciso entrar num acordo.” Segundo ele, o setor emprega atualmente pouco mais de 150 pessoas em Bauru.

O assessor jurídico do sindicato, Emílio Rui Martins Júnior, diz que o Bingo Cidade foi o primeiro entre as três casas do ramo existentes na cidade a procurar o Sechorbs e que, até o momento, não houve problemas. “Os trabalhadores estão entrando em acordo com a empresa e não houve nenhum atrito por enquanto.”

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