Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
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• Rota de colisão

O Gabinete do prefeito não digeriu bem, ontem, as manifestações das duas principais chefes da Secretaria de Planejamento - a secretária Maria Helena Rigitano e a adjunta Tânia Kamimura - sobre a denúncia de prática antiética e talvez ilegal de serviços extras na pasta. Ambas saíram em defesa das atividades denunciadas.

• Argumentação

As duas titulares da Seplan apontam que estes procedimentos, ou seja, a realização de serviços preparatórios paralelos (particulares) para serem usados na própria área onde atuam, são rotineiros e existem há anos. Afirmam ainda que qualquer servidor pode prestar serviços em sua área de atividade fora da prefeitura. Maria Helena cita seu próprio exemplo como arquiteta.

• Diferenças 1

Há nestas afirmações duas situações bem distintas. Analisando pelo prisma da ética profissional e não sob a luz do Estatuto do Servidor, que prevê as normas de conduta do profissional e que demandará investigação mais profunda, é inadmissível que um servidor use dos seus conhecimentos em determinada área para prestar serviços particulares a quem precisa aprovar processos nesta mesma área.

• Diferenças 2

Não é a mesma coisa de um advogado, arquiteto, técnico, enfim, qualquer profissional público prestar um serviço particular a terceiros, mas que não vai depois tramitar na pasta onde ele atua. É certo que a prefeitura só teve este surto de correção de desvios profissionais em função da “guerra” que trava com um vereador (João Parreira), que por sinal se beneficiou do expediente colocado em xeque com as revelações feitas anteontem.

• Afastamentos

O caso vai exigir uma posição do prefeito. O Gabinete decidiu-se pelo afastamento de uma servidora, mas o procedimento é realizado por vários integrantes da Seplan, segundo o próprio comando. Assim, o prefeito terá de adotar posição ampla ou então voltar atrás na decisão de afastar uma única pessoa, até que a sindicância seja finalizada.

• Dois pesos...

Por sinal, um vereador comentou ontem que não viu a mesma medida ser aplicada pelo prefeito em outros casos que ganharam manchetes por todas as constatações e indícios que os cercavam, como na época da crise da merenda, que gerou uma CP e a cassação de Nilson.

• Reação do PPS

O comando do PPS antecipa que vai defender na Câmara a instalação de uma apuração para a conduta do vereador Parreira no episódio. O presidente do partido, Rubens de Souza, acha que o próprio Parreira vai querer ver a situação esclarecida.

• Rubão e a CDHU

Circula junto ao governo do Estado a possibilidade de o deputado Arnaldo Jardim (PPS) assumir a Secretaria de Habitação, no lugar de Barjas Negri, que iria disputar a prefeitura de Piracicaba. Se isso acontecer, Rubão, que deixou a Cohab, poderia ser convidado por Jardim para ocupar um posto na companhia.

• Possibilidades

Mas esta tese só teria êxito se o deputado Campos Machado (PTB) assumisse a Secretaria de Segurança Pública, no lugar do promotor Saulo de Castro Abreu Filho, que pode ser indicado para a disputa majoritária na eleição da Capital.

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