Economia & Negócios

Inadimplência cresce 7,24% no 1º trimestre, segundo SPC

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O índice de inadimplência acumulado entre os três primeiros meses deste ano no comércio de Bauru, registrado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), aumentou 7,24% sobre o mesmo período do ano passado. No total, foram 30.203 nomes de consumidores incluídos na lista de inadimplentes neste ano, contra 28.162 ao longo do primeiro trimestre de 2003. Somente em março, a inadimplência foi 25% maior que no ano passado.

Também em relação à quantidade de consultas feitas por lojistas ao SPC - órgão ligado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) - o número foi maior de janeiro a março deste ano: 299.393 contra 261.401 consultas em igual período de 2003. O aumento é de 14,53%. A quantidade de pessoas que conseguiram retirar seu nome da lista de inadimplentes não é contabilizada em números gerais pelo SPC.

Para o diretor do Serviço de Proteção ao Crédito, Sérgio Evandro Motta, os registros de nomes contabilizados de janeiro a março estão dentro da normalidade para o período. “A diferença sobre o ano passado não foi tão grande. A economia está mais aquecida do que em 2003, então, as pessoas se lançam mais às compras. O problema é que, em muitos casos, há um descontrole que se junta às prestações que ainda vêm das compras de Natal e as pessoas acabam ficando inadimplentes”, avalia Motta.

O economista Fernando Pinho concorda com a avaliação de que os índices de março trazem muitos reflexos das compras de Natal, que somadas a gastos tradicionais de início de ano - como IPVA, IPTU, matrícula dos filhos e material escolar -, acabam desequilibrando as finanças de muita gente.

“Além disso, houve aumento das tarifas públicas, do desemprego, reflexos do achatamento de renda no ano passado. Apesar do 13.º salário, as despesas das famílias aumentam no início do ano. Mas basicamente, o achatamento da renda fez com que o número de pessoas que tentaram pagar suas contas em dia e não conseguiram aumentasse”, avalia Pinho.

Surpresa

Para Motta, um dado surpreendente foi a quantidade de consumidores que entraram para a lista do SPC em março: 11 mil, contra 8.800 no mesmo mês do ano passado (aumento de 25%). Em fevereiro deste ano foram 9.400 nomes incluídos (17,02% a menos do que no mês passado).

“Os resultados de março me surpreenderam; esperávamos algo em torno de 10 mil. Onze mil registros é a média que costumamos contabilizar dentro do segundo semestre, quando a economia geralmente está mais aquecida. Então, para o período é um número alto. Por outro lado, sabemos que março reflete muito as compras feitas no comércio antes do Natal e que ainda estão sendo pagas parceladamente”, diz o diretor do SPC.

E complementa: “O número de consultas também foi maior em março (110 mil) deste ano do que no ano passado (85.500) e em fevereiro de 2004 (92 mil). Sabe-se que o aumento das consultas feitas por lojistas significa maior movimentação no comércio. Uma das conseqüências disso pode ser o aumento da inadimplência.”

Já para o economista Fernando Pinho, a maior movimentação registrada no comércio durante o primeiro trimestre do ano foi fortemente motivada por informações do governo federal, de que haveria mais crédito no mercado e maior injeção de dinheiro na economia.

“O problema é que o programa do microcrédito não decolou da maneira como deveria, o estímulo à construção civil via aumento dos financiamentos também não deu certo, entre outras medidas. Enfim, essa euforia indicada pelo aumento das consultas ao SPC está muito mais ligada ao emocional do consumidor do que a fatos concretos. O fato é que a economia não está aquecida. Para que isso ocorra, o trabalhador precisa ter renda”, conclui o economista.

Pela primeira vez no mês passado, a equipe do SPC fez um levantamento para saber quantas consultas (do total de março) feitas por lojistas não resultaram em vendas concretizadas: 8%, o que significa 8.800 consultas.

Para Motta, essa situação de inadimplência alta deve ser minimizada nos próximos meses. Além disso, para o mês de abril o diretor do SPC faz análises positivas. “Acho que será melhor do que março, que já foi bem melhor do que janeiro e fevereiro para o comércio”, afirma Motta.

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