Espalhadas em reservas indígenas, muitas tribos lutam para preservar sua cultura, enquanto algumas buscam informações para resgatar suas crenças, arte e língua. Em 19 de abril, comemora-se o Dia do Índio, o primeiro habitante do Brasil, que hoje encontra dificuldades para sobreviver e manter-se unido. O Brasil já teve 5 milhões de índios. Hoje tem somente 270 mil.
Bem pertinho de Bauru (40 quilômetros a Noroeste), em Avaí, existe a Reserva Indígena de Araribá, onde estão localizadas cinco aldeias: a antiga Kopenoty e Nimuendaju e as novas Pyhau, Ekeruá e Tereguá.
Lá, os povos indígenas enfrentram a dificuldade de viver do campo, com as influências da cidade. “É difícil ensinar a língua terena para as crianças, que já têm contato com televisão e rádio. Elas usam o português com facilidade”, explica o professor Alício Lipu, nome indígena Marâ’O, que ministra aulas para os curumins da aldeia Ekeruá.
Além disso, a distância dos pais é maior. “Hoje eles ficam envolvidos em trabalhar fora ou na lavoura, pois não há mais a caça e a pesca disponíveis na natureza. Por isso, é preciso resgatar a língua”, comenta Marâ’O.
Ele conta que eles estão buscando várias formas de resgatar a cultura de seu povo, ensinando brincadeiras e artesanato. Além, é claro, da língua indígena. Agora, com a implantação pelo governo do Estado de São Paulo de unidades de ensino nas aldeias, a escola ficou mais próxima dos curumins.
Em sala de aula, a criança indígena conhece sua história e desperta o interesse para a sua cultura, que é muito rica. As crianças da aldeia Pyhau aprendem as danças e rezas com as pessoas mais velhas da tribo. Omerinda da Silva, nome indígena Sapu Jo, 74 anos, ensina a turminha. “A gente faz tudo junto. Reza, dança, faz os instrumentos”, conta a senhora. Ao lado de Juraci Cândido Lima, Kunhanacui, eles se preparam para ensinar a cultura tupi-guarani aos mais novos.
Além de freqüentar a escola, a participação na vida da comunidade indígena é fundamental para que os ensinamentos sejam transmitidos. Emerson Mendes, 9 anos, usa o bracá (chocalho) para as danças e ensina: “O bracá pode ser feito com coco da Bahia e cheio com contas, ou fazer com a purunga mesmo”.
Eles aprendem a dança da chuva e a dança da Mangaraí, que é uma espécie de batizado. “É quando eles recebem o nome indígena. Nesse dia vem o pajé do litoral. A gente não deixa a nossa religião”, explica Juraci.
Cada aldeia tem o seu cacique, que é escolhido pelo grupo e responde por todos os assuntos daquela comunidade.
A turminha da aldeia Pyhau também freqüenta a escola e aprende o tupi-guarani. “É um pouco difícil, mas é bom aprender”, dizem. O artesanto também é uma brincadeira para eles. “Fazer colar de sementes é bastante gostoso”, diz Ana Miuca Mendes, 6 anos, ao lado da irmã Sara, 7 anos.
Brincadeira de índio
As crianças indígenas, como todas, adoram brincar. Elas sabem se divertir em atividades coletivas, o que fazem em grande parte do tempo, quando não estão na escola. Meninos e meninas de todas as idades brincam juntos.
A garotada da aldeia Pyhau gosta de jogar bola, brincar de ciranda, dançar e jogar taco. Eles aproveitam o enorme quintal para os momentos de lazer. “Os mais velhos ensinam os mais novos”, contam.
Uma turminha da aldeia terena Ekeruá aproveita as aulas para aprender brincadeiras indígenas. “A gente gosta de aprender as danças também”, dizem as crianças. Uma das atividades apontadas é a brincadeira da ema. “É só fazer uma roda, de mãos dadas, e uma criança é escolhida para ser a ema. Ela sai da roda, e depois volta, para tentar entrar. Quando consegue, aí ela pergunta para cada um da roda (que representa a cerca), de que tipo de madeira ela é. A gente tem que falar um nome de madeira. Aí ela tenta fugir, o primeiro que pegar será a ema”, ensinam na aula. “Ah! Também tem que fazer o passo da ema”, comenta o professor Marâ’O, que divide as aulas com a professora Tereza Silvério.
Em busca do artesanato
Segundo o professor Marâ’O, as tribos terena vieram do Mato Grosso do Sul, onde é tradicional a confecção de cerâmica. “Como a gente não tem uma boa argila aqui, temos dificuldade. Parece que no rio Batalha tem”, comenta.
Mesmo assim, com um pouco recebido de presente, dona Celina Mendes procura passar seus conhecimentos para as crianças. Mesmo sem falar o português, dona Celina faz seus bichinhos e panelas de cerâmica sob o olhar atento dos curumins.
A proposta do grupo é conseguir argila e dar continuidade ao aprendizado da cerâmica: “Queremos ensinar todas as mulheres, faz parte da cultura terena”, complementa o professor.
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Tribos do Xingu
Na Reserva Indígena do Xingu, no Mato Grosso, as aldeias são mais isoladas, o que permite uma proximidade maior com sua cultura. Lá, as crianças são livres para brincar, caçar, nadar e participar dos rituais das aldeias. Mesmo assim, elas também freqüentam aulas e aprendem sua língua. Elas fazem o beiju, que é feito da farinha de mandioca, e é usado na alimentação.