Cultura

Undokai atrai visitantes não nipônicos

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Originado há quase cinco décadas com o objetivo de unir famílias japonesas que moravam no Brasil, o Undokai está se transformando em uma grande confraternização entre participantes de origem oriental e também de não descendentes nipônicos. Pelo menos essa foi uma característica evidenciada na festa realizada ontem, no Recinto Mello Moraes, em Bauru.

Promovida anualmente pelo Clube Cultural Nipo-Brasileiro, o Undokai, cuja palavra significa festival de esportes, contou com uma extensa programação envolvendo gincanas e brincadeiras voltadas a todas as faixas etárias, além de música, dança e pratos típicos da culinária oriental. Apesar do tempo nublado, o evento teve a participação de aproximadamente 3 mil pessoas.

Os organizadores do Undokai apontam como positivo o aumento de visitantes que não são descendentes nipônicos na festa. “Acho muito bom porque cada vez mais estamos reunindo mais pessoas”, diz o presidente do Nipo, Teruo Tazaki. Um dos vice-presidentes do clube, Nariaqui Cawaguti, concorda. “Nosso clube é nipo-brasileiro. Cultuamos a tradição oriental japonesa, mas o clube é aberto a todos”, diz.

O gerente comercial Aníbal Rolim levou a mulher e dois filhos ao evento. “Estou aqui pela primeira vez e estou achando maravilhoso. Acabei de comer um prato de yakisoba (macarrão à base de shoyu feito com carnes e legumes)”, contou, enquanto assistia a apresentação das gincanas.

Mais de 30 tipos de competições podiam ser disputadas pelos presentes e todos ganhavam prêmios. Um dos mais disputados foi o jogo da centopéia, no qual grupos de seis participantes deveriam andar e chegar juntos ao final. Os amigos Chris Douglas e Emerson Ricardo Corrêa Leite estavam entre os participantes. “Sempre gostei do Undokai”, disse Emerson.

Barracas com delícias da culinária japonesa eram outro ponto forte do Undokai. O yakisoba e os doces orientais eram os preferidos. Na fila do manju (bolinho recheado com doce de feijão), a estudante Renata Célia Afonso tinha garantido o seu pacote de manju. “Venho todo ano. Gosto muito dos doces e meu filho adora as gincanas”, revelou.

Também segurando um pacote de manju, a funcionária pública Neide Martins se impressionou com o Undokai. “É a primeira vez que eu venho. Ainda não participei das brincadeiras, mas gosto muito dos pratos”, ressaltou.

Já a estudante Ana Paula Queiróz, que é casada com um mestiço, afirmou que apesar de não ser muito fã da culinária oriental, aprecia o Undokai. “Acho muito legal e sempre trago meu filho para brincar”, disse. Para agradar a todos, as barracas também ofereceram pastéis, espetinhos e sorvetes.

Para Cawaguti, o evento estimula a interação entre os familiares. “As atividades propiciam a participação de todos os membros de uma família, desde crianças até pessoas de 80 anos. Esse é um diferencial e as pessoas que não são da colônia japonesa se mostram muito interessadas”, opinou.

Sons fortes

Um dos grandes destaques do Undokai ficou por conta de uma apresentação de taikô, instrumento de percussão considerado símbolo do folclores japonês. Um grupo de jovens do Nipo atraiu a atenção do público produzindo batidas fortes e compassadas. Fabricado com madeira maciça e couro, a palavra taikô serve para designar tanto o instrumento quanto seu estilo musical.

Existente desde o início da civilização japonesa, o taikô era utilizado como um instrumento de comunicação, além de ser usado nas festividades em comemoração à colheita do arroz. Anos mais tarde, ele foi incorporado às cerimônias religiosas e eventos culturais.

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