Para o geógrafo Sebastião Clementino da Silva, professor de geopolítica e geografia humana da Universidade Sagrado Coração (USC), é prematuro falar em estabilização da população em 500 mil habitantes.
O professor acredita que não está longe o dia em que o censo de Bauru revelará a existência de mais de 600 mil moradores. “Não dá para afirmar com segurança que o município não vai ultrapassar os 500 mil habitantes. É prematuro trabalhar com previsão da estabilização concreta da população”, frisa.
Sebastião avalia que a tendência é ultrapassar os 600 mil não apenas devido ao crescimento interno, mas também em função da localização geográfica e das condições sócio-econômicas do município.
“Bauru é sede administrativa e está numa região de migração. Isso pode afetar a concentração de população. A tendência do fluxo das cidades vizinhas é vir para a região com mais condições de trabalho”, argumenta.
Segundo o professor, há uma tendência no Brasil de estabilização da população porque ela estaria envelhecendo. Ele explica que está havendo um decréscimo vegetativo da população. A longevidade está aumentando, enquanto a taxa de natalidade diminui em função do avanço da idade média brasileira.
“O Brasil está com uma tendência mais grisalha. As mulheres passam a casar e ter filhos mais tarde e isso tem retardado o crescimento da população”, expõe.
Sebastião acrescenta, entretanto, que Bauru segue essa tendência, mas que a população não deve parar de aumentar tão cedo. “Pode haver diminuição do crescimento devido à redução da natalidade, mas não dá para falar concretamente que haverá estabilização. Não podemos falar em estabilização, mas em acomodação do crescimento vegetativo”, cita.
“É difícil saber com quantos habitantes vai se estabilizar”, acrescenta o professor.
O geógrafo destaca que há uma diferença entre crescimento e expansão populacional. O primeiro é planejado e ordenado. Já a expansão ocorre quando o crescimento foge do controle.
“Varia por diversos fatores. Um deles é o fluxo migratório. Por exemplo, Brasília foi planejada para 500 mil habitantes e hoje está com mais de um milhão. Isso provoca desordem urbana. Eu acho que a prefeitura deveria cuidar dessa conscientização sobre o crescimento desordenado”, diz.