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AHB restringe atendimento ao Iamspe

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Os servidores públicos estaduais de Bauru estão temporariamente sem poder utilizar o convênio do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) para atendimento, exceto em casos de urgência e emergência, nos hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel. Ontem à tarde, a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra os três hospitais, anunciou que suspendeu o atendimento porque a cota do convênio com o instituto para este mês, que é de R$ 230 mil em serviços prestados, já estourou.

Apesar de ter 2% do valor do salário descontado em holerite para custear o Iamspe, os servidores não poderão contar com o convênio para consultas, exames, internações e outros procedimentos, a não ser em casos de risco de morte, até o final deste mês. A orientação da diretora técnica do Iamspe em Bauru, Sandra Maria Furquim Carneiro, é que os pacientes procurem hospistais de cidades da região, o Hospital do Servidor, em São Paulo, ou o Sistema Único de Saúde (SUS).

A diferença do atendimento pelo Iamspe e pelo SUS é, basicamente, o tipo de acomodação hospitalar à qual o paciente tem direito. Por mês, cerca de 3.500 pessoas são atendidas através do Iamspe em Bauru, que fica na quadra 1 da rua 1.º de Agosto. A demanda, admite Sandra, exige um aumento da cota, mas por enquanto não há esta possibilidade, segundo ela.

Pacientes que procuraram os hospitais da AHB ontem à tarde foram surpreendidos com a suspensão do atendimento. Indignado, um professor da rede estadual, que preferiu não ter o seu nome divulgado, criticou a suspensão parcial do atendimento pelo Iamspe e o fato dos conveniados não terem sido comunicados com antecedência.

Com um problema de voz desde terça-feira, ele procurou o Hospital de Base ontem à tarde. “Cheguei às 15h e não pude fazer a ficha porque não estava com o último holerite. Fui para casa, peguei o holerite e quando voltei ao hospital, às 15h30, a funcionária informou que eu não seria atendido porque o atendimento havia acabado de ser suspenso. Como é que eles suspendem o atendimento no meio do dia? Já é um absurdo isso acontecer, ainda mais sem avisar com antecedência”, critica.

Sem o convênio, ele foi atendido no Pronto-Socorro Central pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Fiquei revoltado porque vi situações ainda piores que a minha. Nós pagamos o Iamspe pelo mês inteiro, mas temos atendimento só nos 11 primeiros dias”, reclama.

A filha de uma professora de 85 anos, que tinha um exame marcado para hoje no Hospital de Base, também reclamou da suspensão do atendimento eletivo pelo Iamspe. “Minha mãe está com um problema digestivo e o médico pediu uma série de exames. Este de amanhã (hoje) seria o último, mas o hospital ligou em casa informando apenas que o convênio acabou”, conta.

Ela, que também prefere não se identificar, conta que o exame não foi feito no mês passado porque a cota de abril também havia estourado. “Minha mãe paga o Iamspe, que é descontado em folha, desde os 22 anos. Agora que ela precisa não pode contar com o atendimento”, frisa.

A direção da AHB informou que tomou a medida após consultar o Iamspe e ser informado que o atendimento além da cota não seria pago. “Antes, o teto era de R$ 210 mil por mês e o que passava era pago depois. Mas agora, o Iamspe não vai mais pagar. Com R$ 100 mil que ficaram do mês passado, já atingimos a cota deste mês e por isso decidimos atender apenas os casos que envolvam risco de morte”, conta Deives Gonçalves, coordenador financeiro da AHB.

A cota estoura, explica Gonçalves, porque normalmente a demanda de pacientes é maior que o valor estipulado no convênio da AHB com o Iamspe. “O convênio prevê 80 internações e em abril fizemos 126. Neste mês, até o dia 11, já fizemos 55. Exames de raio-x são 540 por mês e neste mês já foram 780”, enumera.

Por mês, são feitas cerca de 1 mil consultas ambulatoriais pelo Iamspe na AHB e 800 nos consultórios de médicos cadastrados ao instituto, de acordo com Gonçalves. Ele lembra que no ano passado a instituição solicitou à direção do Iamspe aumento na cota, mas o pedido foi negado.

Ontem à tarde, 17 conveniados ao Iamspe estavam internados em hospitais da AHB - 15 em quartos e dois em UTI. Segundo Gonçalves, o atendimento a esses pacientes será mantido sem nenhuma alteração.

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Alternativas

A diretora técnica de serviços do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) em Bauru, Sandra Maria Furquim Carneiro, orienta os servidores públicos estaduais que precisarem de atendimento eletivo a procurar hospitais de cidades da região que mantêm convênio com o órgão ou o Hospital do Servidor, em São Paulo ou ainda esperar o próximo mês.

Hospitais de Pederneiras, Lins, Agudos Pirajuí, Cafelândia têm convênio com o Iamspe, mas antes de deslocar-se para estas cidades o servidor precisa certificar-se de que a cota também não está esgotada. “Enquanto esta situação não se resolve, o servidor também pode procurar o SUS”, sugere Sandra.

Ela admite que a restrição de atendimento nos hospitais da AHB causa transtorno aos servidores estaduais, mas ressalta que para aumentar a cota o Iamspe precisa de mais receita. “Infelizmente esta é a situação. Para aumentar a receita só existem dois caminhos: ou aumenta a contribuição do usuário ou o governo entra com uma parte”, diz.

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