Auto Mercado

Editorial


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O significativo crescimento da frota bauruense de motocicletas - quase 30% em pouco mais de quatro anos - propicia um campo fértil para reflexões.

É público e notório que o aumento do número de motos rodando na cidade também implica dizer que o mercado duas rodas se aqueceu não apenas em Bauru, mas em todo o País. Não faltam números para comprovar esta realidade.

Só em março de 2004, o setor bateu recorde histórico de comercializações - 82.134 unidades -, superando a marca - 80.066 - de outubro de 2003. Além disso, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo) mantém uma estimativa pra lá de otimista para as vendas do mercado interno este ano - 940 mil unidades -, a maior de todos os tempos.

Com um cenário tão alentador, quem trabalha na área - seja empregado ou patrão - não tem dúvidas de que os negócios vão de vento em popa e prometem melhorar mais. Isso porque se o ritmo dos negócios se mantiver nos níveis atuais, em curto espaço de tempo - dois a três anos - as comercializações de motos ultrapassarão a de automóveis, que, em 2003, atingiram a cifra de 1,17 milhão de unidades.

Entretanto, o vigor do mercado de motocicletas não traz apenas aspectos positivos. O aumento da frota, especificamente em Bauru, é uma das causas diretas do aumento de acidentes envolvendo motos nas cidades.

Quem confirma tal afirmação são as próprias autoridades municipais de trânsito, que não se cansam de apontar os maiores abusos cometidos pelos motociclistas bauruenses: excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares e negligência no uso do capacete.

Tais infrações continuam a ser cometidas pelos “motoqueiros” com uma freqüência, no mínimo, irritante e perigosa. Irritante porque, mesmo com todas as campanhas de conscientização desenvolvidas por autoridades e imprensa, pouquíssimos mudam seu comportamento. E perigosa porque, além de arrancarem sua própria vida, colocam a de outros na “mira” da morte.

Por isso, não há de se ter complacência contra quem é surpreendido burlando a legislação e, conseqüentemente, correndo risco de morrer. A política paternal de “passar a mão na cabeça” deve dar lugar à da rigorosidade na fiscalização. A “dor” no bolso de uma multa parece ser a única forma para os “motoqueiros” nacionais transformarem-se em exemplares motociclistas.

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