Pelo menos 135 empresários e proprietários dos imóveis do Centro da cidade já apresentaram projeto para revitalização das fachadas dos estabelecimentos à Secretária Municipal de Planejamento (Seplan), garantindo incentivos à reforma. Desde o ano passado, uma lei municipal garante abatimento de até 50% do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) para a reformulação, mas o incentivo é válido apenas até o final do ano. A partir de 2005, as novas fachadas serão obrigatórias.
A proposta da lei municipal 4.951, de 31 de dezembro de 2002, é interromper a deterioração do Centro comercial e promover uma renovação dos estabelecimentos, de forma semelhante ao que foi desenvolvido no calçadão de Curitiba (PR).
O diretor do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio), Wallace Garroux Sampaio, é também presidente da Comissão de Revitalização da Área Central. Ele comenta que os empresários que já reformaram suas fachadas, retirando os luminosos de metal e conservando a arquitetura original, estão satisfeitos com o resultado. “Você nota que já temos um visual bastante diferenciado na área central, com a valorização das lojas e do comércio. Nosso objetivo é recuperar os consumidores e transformar o Centro num pólo de atrativo do comércio novamente”, aponta.
De acordo com a Seplan, pelo menos 70 processos de revitalização já foram aprovados e encaminhados para a Secretaria de Finanças, para a certificação dos descontos no IPTU. Até o momento, a adesão pela revitalização foi maior entre as lojas do Calçadão da Batista, da rua 1.º de Agosto e vias transversais.
Sampaio lamenta que ainda poucos imóveis da Rodrigues Alves passaram pela reforma. “Nosso foco é todo o Centro, mas a região de maior impacto seria a da Rodrigues. É a região mais deteriorada e também de maior visibilidade, em função do trânsito de veículos e de ônibus”, diz.
No próximo mês, a Comissão de Revitalização deve promover um novo evento para conscientizar os lojistas sobre a renovação do visual da região e relembrar que o programa de incentivos ainda está aberto. A aprovação do projeto pela Seplan pode proporcionar descontos de até 50% no IPTU deste ano, porém a partir de 1 de janeiro a padronização das fachadas será obrigatória, sem direito a benefícios.
O gerente de uma loja de confecções e artigos esportivos na quadra 5 do Calçadão, Edmilson Segal, comenta que a mudança na fachada do imóvel atrai a atenção dos consumidores e melhorou a visibilidade do estabelecimento. “Antes, tínhamos um painel em toda a extensão da loja, com todas as marcas que trabalhamos. Tiramos tudo, limpamos a parede, pintamos e deixamos só o letreiro. A loja ficou mais chamativa e foi positivo porque tivemos o desconto do IPTU”, relata.
Na opinião de Segal, a proposta de revitalização das lojas já tem deixado o Calçadão e as ruas do Centro mais bonitos. “O Centro está mais agradável, as lojas ficaram mais limpas, com visual mais arejado e bonito. Essa é a minha opinião como consumidor. E como lojista, também ganhamos muito pois a população voltou para passear no Calçadão e as lojas ganham mais destaque”, conclui.
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Novas fachadas
A padronização e revitalização dos imóveis da área central, no quadrilátero formado pela avenida Rodrigues Alves, as ruas 1.º de Agosto e Araújo Leite e a Praça Machado de Mello, foi definida pela lei municipal 4.951, de 31 de dezembro de 2002. As lojas têm de retirar os luminosos e “caixotes” de metal para expor a arquitetura original dos prédios.
É permitido instalar luminosos e placas de identificação com largura de até um terço do tamanho da fachada e altura de no máximo um metro. As placas devem trazer apenas o nome da loja, sem qualquer menção a patrocinadores ou às marcas vendidas no estabelecimento. Também é permitida a instalação de toldos com até 1,20 metro sobre o passeio e altura mínima de 2,40 metro.