Auto Mercado

Editorial


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Soa, no mínimo, estranha a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que proíbe a utilização de pneus reformados por veículos de duas e três rodas, o assunto de capa da edição de hoje do AutoMercado&Cia.

Estranha porque, no texto da nova lei, o órgão limita-se a argumentar, secamente e sem sequer citar estudos científicos ou técnicos, que tais equipamentos não possuem as mínimas condições de segurança para serem usados.

Ocorre que, como manda o exercício do bom jornalismo, a reportagem do AutoMercado&Cia tentou descobrir junto ao Contran quais seriam - se é que existem - as fundamentações técnicas ou científicas que o órgão baseou-se para editar a resolução.

Entretanto, esquivando-se de suas funções públicas, o Contran simplesmente ignorou as solicitações do AutoMercado&Cia e não manifestou-se a respeito. Postura lamentável que abre margem para interpretações do tipo das de “quem cala consente”. Além disso, não são poucos os que consideram a resolução como fruto de um poderoso “lobby” dos fabricantes de pneus novos.

Especulações à parte, sobra a nua e crua realidade: a resolução está aí e precisa ser cumprida e, principalmente, fiscalizada. E é justamente neste sentido que a Polícia Militar de Bauru garante que exercerá o bom senso. O cabo Adilson Caldeira pondera - com toda razão - que o policial não é técnico para identificar se uma moto está com um pneu usado ou não.

O mesmo Caldeira enfatiza, tranqüilizando os motociclistas, que a PM não se preocupará com este detalhe, mas sim com os pneus que comprometam a segurança ao rodar. Desta forma, a Polícia promete continuar à “caça” de pneus “carecas” e que não atendam às mínimas condições de segurança.

As autoridades também buscarão cumprir, talvez, o único lado positivo desta resolução: o de também proibir rodas trincadas, quebradas ou com deformações. Menos mal, mas bem que o Contran poderia voltar suas atenções para fatos que realmente tivessem mais importância no complicado contexto do trânsito nacional.

Poderia começar, por exemplo, regulamentando de uma vez por todas o bafômetro e as infrações contra pedestres.

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