Política

Jogo político ainda está embolado

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Praticamente em pleno segundo tempo, o jogo político que definirá o cenário partidário para as eleições municipais de outubro está embolado. Dos 11 partidos que anunciaram que vão ter candidaturas próprias, apenas um - o PSDB - confirmou a composição da chapa majoritária. Os demais ainda aplicam a tática das conversações de reta final, já com um olho no juiz e outro no relógio.

Depois de muita especulação, o PSDB saiu na frente no jogo e anunciou a dobradinha Caio Coube/Fernando Monti. Ainda tenta aglutinar mais forças. O comando do PFL em São Paulo convocou o vice-prefeito Dudu Ranieri para uma reunião. O encontro contou com a participação do vice-governador do Estado, Cláudio Lembo, que teve a missão de convencer Dudu a retirar a candidatura própria para apoiar a tucana.

O resultado dessa conversa está sob sigilo. Nem o vice-prefeito nem o ninho tucano se manifestam a respeito da investida do comando pefelista paulista no território dirigido por Dudu. Mas, além do PFL, o PSDB também arregimenta a busca de mais apoio em outras searas políticas. Depois de um vôo rasante para consulta, os tucanos conseguiram a sinalização do PP.

Pelo que se ouve nos bastidores, a conversa está bem adiantada. O ex-deputado estadual Carlos Braga e o vereador Paulo Madureira, dirigentes do PP, devem anunciar nas próximas horas o acordo com o PSDB, cujo teor ainda é desconhecido.

Desenlace?

Quem pode sair perdendo nessa jogada inesperada do PP é a relação política entre Braga e Tuga, que sempre jogaram no mesmo time, mas, por motivos ainda desconhecidos, o PP decidiu trocar de lado. O assunto é tratado discretamente, mas a aliança já é dada como certa.

Se o desenlace se confirmar, Tuga deixa de somar mais tempo na propaganda gratuita de rádio e TV e fica sem uma opção de emergência para ocupar a vaga de vice na sua chapa.

Mas o ex-prefeito e ex-deputado federal não perde tempo nas investidas à procura de um nome para ocupar a função, cujas articulações contam com o apoio do vereador Faria Neto (PDT).

Depois de ser abandonado pelo PL na corrida da sucessão municipal, o PSB aproximou-se de Tuga. O diálogo existe há uma semana e até sexta-feira poderia trerminar em aliança, com a possibilidade de o vereador Luiz Carlos Valle ocupar a vaga de vice de Tuga. Valle é pastor e tem bom trânsito no meio evangélico, segmento que detém uma boa fatia do eleitorado.

Terceira via

Deixando o campo da polarização daquilo que se acredita será o top da disputa – Caio/Tuga – surgem no cenário dois grupos que reivindicam para si a chamada “terceira via”. O presidente da Câmara Municipal, vereador Renato Purini (PMDB), anunciou seu propósito de disputar a Prefeitura de Bauru. Contaria com o PC do B de Majô Jandreice para vingar o projeto. Devido ao pouco espaço político que sobra para aglutinar forças, o PMDB não descarta a possibilidade de enquadrar Majô na vaga de vice de Purini, que conversa com outros grupos, inclusive com o PDT. Também poderá surgir uma aliança e dobradinha Tuga e Purini.

Outra frente que tenta emplacar o jargão da “terceira via” é o encabeçado pelo técnico da Seleção Brasileira de Basquete Feminino, Antonio Carlos Barbosa, filiado ao PHS. Apoiado pelo ex-prefeito Antonio Izzo Filho, Barbosa conta com apoio de pequenos partidos: PSL, PTN, PTC, PtdoB e talvez o PRTB. Seu vice vai sair desse grupo, embora não se descarte a hipótese do técnico abandonar o jogo depois do desgaste que sofreu na mídia nacional ao ser descoberto como pré-candidato a prefeito faltando um mês para o início das Olimpíadas de Atenas.

Paralelo a essa movimentação política também está o grupo do prefeito Nilson Costa (PTB), que vai lançar a candidatura do chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola. O PPS e o desconhecido PAN são os aliado, contando, talvez, com o PTB. A vaga de vice é uma incógnita, mas com certeza sairá de um desses três partidos.

O PSTU também definiu nome para a disputa. É o advogado Sandro Fernandes, mas o vice ainda não está acertado. O partido vai sozinho para a eleição. Na mesma situação encontra-se o PV, que terá Clodoaldo Gazzetta na cabeça de chapa. Ex-secretário de Meio Ambiente da gestão Tidei de Lima (1993/1996), Gazzetta também ainda não tem vice.

A possibilidade de aliança dos verdes com outros partidos é mínima diante do jogo político que já está pré-definido.

Na mesma situação do PSTU e do PV está o PT, abandonado pelo PDT às vésperas da eleição. Estela Almagro deve partir para o sacrifício de disputar mais uma vez a prefeitura. Ela foi a cabeça de chapa da legenda na eleição municipal de 2000. Seu vice também deverá surgir no âmbito do próprio PT.

Pela primeira vez no cenário político municipal, o Prona – comandado pelo polêmico doutor Enéas – promete lançar candidatura própria à prefeitura. O comerciante Elias Brandão ensaiou o lançamento de seu nome, mas foi desautorizado pelo partido a falar sobre o assunto.

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