Bairros

Paisagens são atrativos nos bairros

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Em determinados pontos da cidade, as paisagens - privilegiadas pelo relevo irregular do território de Bauru - são grandes atrativos e chamam a atenção dos moradores e de quem passa pelo local.

É o caso do Parque Vista Alegre. Como o próprio nome indica, do alto do bairro, é possível observar outras regiões da cidade. Talvez a urbanização tenha tirado um pouco da alegria da paisagem, mas ela continua atraindo olhares.

“O bairro tem esse nome porque tem uma vista bonita, dependendo do ponto em que você está. Da minha casa, dá para ver o Centro, o Mary Dota, o Jardim Godoy, o Jardim Aeroporto, o Jardim Brasil”, diz o morador Michel Miguel.

Na opinião dele, é um diferencial e uma característica que valoriza o bairro. “Em 1955, ainda era possível ver mata. Agora, temos uma paisagem urbana. Mas também é bonita”, avalia.

Se por um lado boa parte da vida do Parque Vista Alegre se perdeu com a devastação das matas que antes faziam parte do seu entorno, por outro lado agora há outros detalhes a serem contemplados. Do alto do sobrado em que mora, Michel gosta de observar, por exemplo, a arquitetura dos prédios da região central.

“Nos sentimos numa selva de pedra, mas também admiramos. De um dia para o outro, começam a surgir outros edifícios na paisagem. Dá para observar daqui. Dá para ver bem os vazios urbanos sendo ocupados”, expõe o morador.

Saudosismo

Dos Altos da Bela Vista, mais precisamente do quintal de sua casa, o escritor bauruense Lázaro Carneiro vislumbra duas paisagens que o agradam bastante. Uma delas é a Vila Bela. Ao observar o bairro, ele relembra tempos antigos.

“Na década de 70, a ITE (Instituição Toledo de Ensino) era perdida no meio do mato. O campo do Noroeste era considerado fora da cidade. Era muito longe. Tinha estrada de terra que levava até lá. Eu sou muito saudoso e aquela paisagem me agrada”, conta.

Olhando para a Vila Bela, Carneiro lembra também das casas de ferroviários construídas próximas às oficinas da Noroeste do Brasil. “Ainda tem fachadas antigas que consigo ver da minha casa. Tem casas de ferroviários abandonadas. É uma parte bem antiga da cidade”, complementa.

Outra paisagem que ele observa dos Altos da Bela Vista é a Serra da Jacutinga, no município de Piratininga, onde estão as nascentes de alguns rios que banham a região de Bauru. “É onde nasce o rio Batalha e também o rio Bauru. Tem o ribeirão Grande, o rio Lençóis, o rio Turvo. É um lugar importantíssimo do ponto de vista ecológico e deveria ter sido preservado há muitos anos”, avalia.

Carneiro se diz romântico. “Eu não canso de contemplar essas duas paisagens. Gosto de ver o pôr-do-sol. Às vezes, fico olhando com uma luneta que tenho em casa”, conta.

Além disso, quando passeia pela cidade, o escritor aproveita a tranqüilidade dos fins de semana para observar novas paisagens. “Quando eu saio aos domingos, quando há pouco movimento, acabo vendo coisas que não vejo em dias úteis, com aquela correria. A gente acaba sendo pego de surpresa”, revela.

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