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Polícia apura fuga de tigres do zôo

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Civil não descarta a possibilidade de que os dois tigres reais de Bengala sacrificados anteontem após fugirem de uma jaula do zoológico de Bauru tenham escapado do recinto que habitavam por conta própria. A outra hipótese é que o buraco no alambrado tenha sido provocado por um ato de vandalismo.

“Estamos trabalhando com essas duas alternativas e nenhuma delas será ignorada”, afirma o delegado titular do 4.º Distrito Policial (DP), Dinair José da Silva, que comanda as investigações. Ele instaurou inquérito por crime ambiental e dano qualificado. Além disso, solicitou a perícia da jaula e a necrópia dos animais. O resultado deve sair em 30 dias.

Os dois tigres, mãe e filho, escaparam através de um buraco na tela de arame da jaula, por volta de meio-dia e meia de anteontem. Funcionários do zôo tentaram deter os animais com dardos tranqüilizantes, mas o anestésico não surtiu efeito e, por medida de segurança, os tigres foram sacrificados com disparos de arma de fogo.

A hipótese dos animais terem escapado por conta própria é defendida pelo professor de artes marciais Richard Leutz. Ele costumava ir ao zôo especialmente para visitar os tigres e esteve no parque pela última vez há uma semana, acompanhado da mãe. “Notamos que um dos tigres conseguia colocar o dente por entre os vãos do alambrado para amassá-lo. Ele estava entortando aquilo como se fosse arame de brinquedo”, relembra.

Leutz registrou a cena com uma máquina fotográfica. O retrato mostra um dos animais mordendo o alambrado e a impressão é de que ele consegue puxar um dos arames com a boca.

O diretor do zoológico, Luiz Pires, também não ignora a possibilidade de que o buraco no alambrado tenha sido feito pelos animais. “Isso não está descartado. O que nós queremos, justamente, é que o laudo dos peritos aponte se a tela foi forçada por fora ou se, de alguma maneira, os animais conseguiram romper a tela”, declara.

Ele garante, porém, que a jaula oferece todas as condições de segurança exigidas para abrigar animais ferozes. “Se ela foi rompida pelo animal, foi um acidente que a gente não consegue imaginar como teria ocorrido”, observa.

A presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) em Bauru, Angela Maria Heiffig da Silva, sustenta, porém, que não há nenhuma chance de que os tigres tenham escapado sem ajuda externa. “Acredito que foi um ato criminoso mesmo”, opina.

Silva esteve ontem à tarde examinando os animais e conta que não encontrou nenhum ferimento que pudesse indicar esforço para romper o alambrado. “Eu observei todas as partes dos corpos e não havia indícios na pata ou focinho”, relata.

Investigação

O delegado Silva explica que apreendeu as armas utilizadas para disparar os dardos tranqüilizantes e os projéteis que mataram os animais. A necrópsia será finalizada na próxima semana, com um exame complementar.

Silva também interrogou ontem o único visitante que estava no zôo no momento em que os tigres escaparam, Endel Balbinos. Foi ele quem alertou os funcionários do zôo sobre a fuga.

Segundo o delegado, o visitante presenciou o exato momento que um dos tigres deixava o abrigo. “Meia hora antes disso, ele fez uma foto da jaula e não havia nenhum buraco na tela. Nós requisitamos o filme”, comenta.

Silva também quer descobrir até que ponto a greve dos servidores municipais desfalcou o efetivo de funcionários do zoológico, que é de 48 pessoas.

O diretor do zoológico relatou que os dardos tranqüilizantes não surtiram efeito para deter os tigres porque eles estavam com alto grau de adrenalina.

A análise é confirmada pelo veterinário Rodrigo Guerreiro Mendes, que ontem à tarde examinou os animais a pedido da polícia. “Eu trabalho muito com cavalos e há animais de 500 quilos que não páram quietos nem mesmo quando recebem o tranqüilizante. Em casos de estresse, o sedativo não faz efeito”, comenta.

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Exoneração

O diretor do zoológico, Luiz Pires, pediu exoneração do cargo de Secretário Municipal do Meio Ambiente para se dedicar exclusivamente ao parque. A solicitação foi aceita pelo prefeito Nilson Costa (PTB).

Pires afirma que irá estudar um reforço na segurança do zôo para impedir outros incidentes no local, mas elas não serão implantadas imediatamente. “Não adianta tomar medidas com a cabeça quente. Estamos analisando tudo o que aconteceu para saber o que teremos que fazer”, declara.

A presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) em Bauru, Angela Maria Heiffig da Silva, defende o reforço na segurança do parque. “Nesse momento, o zoológico não tem guarda armada circulando à noite e o poder público deveria tomar providências para mudar essa situação. É preciso preservar a vida dos animais que estão naquele local”, opina.

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