São Manuel - O Ministério Público (MP) de São Manuel (69 quilômetros a Sudeste de Bauru) protocolou anteontem ação civil pública que pede punição às quatro servidoras municipais que foram flagradas fazendo compras em São Paulo.
Apesar delas terem argumentado que estavam a serviço do município, o MP não ficou convencido. Na ação, o promotor Alex Ravanini Gomes pede reparação do suposto dano provocado aos cofres públicos, a perda do cargo das servidoras, suspensão dos direitos políticos das quatro e multa civil.
O valor da multa deverá variar entre três e cinco vezes o salário que elas recebiam quando praticaram o suposto dano. Só haverá uma definição sobre isso no fim da ação e caso a sentença seja favorável ao MP.
O promotor alega na ação que, diante do que foi apurado até agora, há fortes indícios de que as servidoras viajaram a São Paulo para atender interesses particulares. Assim sendo, estaria configurado crime de improbidade administrativa.
A ação civil pública foi encaminhada à 1.ª Vara Cível de São Manuel, onde corre em segredo de Justiça.
Paralelamente à investigação da Justiça, seguem os trabalhos da Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal, que apura o uso do carro oficial pelas servidoras em suas compras na Capital.
O relator da CEI, vereador Saulo Brombini (PL), aguarda apenas a cópia dos depoimentos feitos pelos envolvidos na Delegacia de Polícia e no MP para iniciar seu parecer.
O relatório deverá estar pronto até o dia 8 de julho, quando vence o prazo de 60 dias dado pela Câmara para a investigação das denúncias.
Segundo Brombini, todos os envolvidos também já foram ouvidos pela CEI. Fica faltando apenas o relatório.
Viagem
A viagem das quatro servidoras municipais que está sendo investigada pela Câmara, Ministério Público e Delegacia de Polícia foi realizada no fim de abril.
O vereador Brombini alega ter recebido uma carta anônima no dia 26 de abril com cerca de 40 fotos e uma fita de vídeo.
As imagens mostram quatro funcionárias da prefeitura fazendo compras em lojas de confecções e lingeries nas ruas Oriente e 25 de Março, em São Paulo. As gravações em vídeo mostram o momento em que elas guardam várias sacolas dentro do porta-malas do carro oficial, com a placa do Poder Executivo.
Entre as funcionárias estavam a diretora de Saúde e irmã do prefeito, Maria Cecília Massarelli Silva Lossurdo; a diretora da Promoção Social, Lilian Tedesco Fusco, nora do vice-prefeito Luiz Lúcio Forte (PSDB); Andrea Abilio e Cristiane Lorençon.
De acordo com o prefeito Flávio Roberto Silva (PSB), o Flavinho, elas teriam ido a São Paulo para atualizar um programa de faturamento na área da saúde e aproveitaram para buscar 500 porta-comprimidos, que serviriam como brindes durante a campanha de vacinação dos idosos.
A prefeitura alega que a empresa responsável pela comercialização do material teria deixado os brindes em uma loja para facilitar a entrega.
Além disso, as diretoras teriam aproveitado para fazer um orçamento de calcinhas, cuecas, meias infantis e de adulto para distribuição durante campanha de vacinação contra gripe e paralisia infantil.
Na época, Flavinho disse que não via nada de errado no fato das funcionárias aproveitarem a viagem para fazer compras pessoais.