No jogo Brasil e Argentina novamente a pátria se vestiu de chuteiras. A histeria coletiva, comandada pela Globo, teve até o hilárico e folclórico Zagallo, com todas as suas crendices tolas apresentando o Globo Esporte junto com os âncoras.
Mas tudo que começa com hipocrisia termina da mesma forma. O Mineirão pode agregar com toda segurança do mundo 80 mil pessoas, no entanto, a cartolagem para esconder uma realidade que citarei mais abaixo, liberou apenas 42 mil ingressos. Sacanamente reservaram mais 10 mil ingressos para autoridades e políticos. Nunca se viu tantos aspones e puxa-sacos juntos. Teve até uma hora que um ministro foi alertado que estava no ar e começou a disfarçar uma suposta entrega de livros.
A patifaria se iniciou quando cobraram um preço de ingresso inacessível para o povo mais humilde que sempre foi o responsável pelas maiores festas no estádio do Mineirão. Mas a discriminativa ação “xô pobreza”, revelaria no andamento do jogo mais algumas surpresas.
O jogo foi mostrado ao vivo para dezenas de países e parece que a filosofia do Ricupero, aquela que diz: “o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde”, foi a máxima da transmissão televisiva. Na hora que davam um close na arquibancada, eu logo imaginei que aquela nação mostrada na tela era a Bélgica ou a Suíça ou talvez a classe média e alta do Brasil. Até na geral só se via gente bonita e visivelmente bem abastada socialmente. Europeizaram o estádio.
Aquele Brasil que se iniciou com o massacre dos índios e a escravidão dos negros, composto de pobres, mulatos, excluídos e desdentados, foi enfiado debaixo do tapete. Foi interessante ver aquela socialite com binóculos infravermelho observando o jogo. Acho que ela estava em dúvida se ali era campo ou pista de corrida de jóquei. Os velhinhos pobres com mais de 60 anos, dessa vez não puderam entrar. Nos seus lugares estavam filhos e netos de alguns acusados da operação vampiro e também de canalhocratas sociais.
A vitória brasileira foi justa, apesar do terceiro pênalti. Mas o tratamento dado ao mais humildes foi injusto e isto mostra nossa divisão entre senzala e casa grande. E outra hein, quem toca com descaso o hino da Argentina não tem moral para criticar americano que xinga o presidente brasileiro de alcoólatra.
A malandragem nacional do “faça o que falo, mas não faça o que faço” é a responsável por nossas mazelas sociais.
PS - Essa conversa de que alunos da rede pública ao entrarem na faculdade pública por cotas não acompanhariam os demais estudantes é mentira e falaciosa. A universidade do Rio adotou as cotas e os cotistas, segundo pesquisa do MEC, estão com desempenho melhor ao dos demais estudantes. E a Unesp? Quando iniciará essa discussão?
Pedro Valentim - RG 19.198.011-0