Auto Mercado

Editorial

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Se você acha que muitas rodovias de São Paulo são ruins, mal conservadas e perigosas, não está pensando nenhuma heresia (basta lembrar o estado deplorável da Transbrasiliana que atravessa o Estado).

Entretanto, quando se tem a oportunidade de viajar de carro por outros Estados deste imenso Brasil, chega-se à conclusão, sem o menor exagero, preconceito ou intenção de defender a política horrorosa dos pedágios, que ainda é muito melhor e - pasmem! - mais seguro rodar pelas estradas paulistas.

Falo isso porque senti na pele as conseqüências do mais completo e indecente descaso e abandono do Governo Federal para uma estrada deste País. Trata-se de uma que liga os municípios paraenses de Marabá a Carajás que tive de encarar em plena madrugada para comparecer ao evento de lançamento da Fiat Strada bicombustível, modelo que abordaremos nas próximas edições.

A rodovia, que fiquei na dúvida se é a PA 150 ou a PA 275 (o motorista que me acompanhava não soube responder), mais parece a encarnação física do inferno na Terra. Foram os 200 quilômetros mais apavorantes da minha vida, que demoraram mais de três longas horas - normalmente demoraria não mais que 90 minutos - para serem percorridos em razão da imensa precariedade da pista.

A começar pela quantidade inacreditável de buracos que tomam conta do asfalto, alguns deles tão enormes e profundos que são suficientes para caber um carro inteiro em suas dimensões. As “crateras” também estavam presentes nas diversas pontes pelo caminho, que mais pareciam ter recebido um bombardeio das forças ianques.

Para agravar a situação, em nenhum ponto há qualquer “ameaça” de acostamento e, como a viagem foi feita à noite, o experiente motorista que me conduzia ensinou uma maneira especial para tentar safar-se das adversidades da pista.

A estratégia consistia em, ao menor sinal de freadas e marcas de pneus no piso, diminuir a velocidade e quase parar o carro para fugir dos possíveis buracos. A atitude mostrou-se eficiente em diversas ocasiões, pois escapamos de diversos deles desta forma.

Como se isso não bastasse, os constantes bloqueios policiais - foram três ao longo do caminho, com oficiais com caras de poucos amigos e munidos de lanternas e fuzis -, denunciava outro perigo da rodovia: os constantes assaltos.

A situação é tão crítica que o comentário do “piloto” do carro sobre um ônibus que viajava logo à nossa frente exemplifica: “Quando ele não é assaltado todo dia tem é muita sorte”. E, para comprovar, pude presenciar pouco tempo depois meia dúzia de pessoas algemadas deitadas em plena estrada pela polícia.

Diante de tudo isso, além da conclusão que, até certo ponto, é seguro rodar em São Paulo, vem a inevitável pergunta: quantos “infernos” iguais a esse do Pará ainda não existem espalhados pelo resto do Brasil?

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