A retomada da produção cinematográfica nacional, que em 2004 completa uma década, trouxe um novo fôlego aos cineastas brasileiros que se dedicam a outras áreas que não a dos longas-metragens. Assim, nos últimos anos pudemos ver novos e bons curtas, filmes de animação e documentários 100% nacionais. Este último gênero em especial tem trazido obras de peso como, entre outras, “Notícias de uma Guerra Particular” (1999), de João Moreira Salles, e “Ônibus 174” (2002), de Felipe Lacerda e José Padilha, ambas premiadas dentro e fora do País.
O documentário “Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje”, que será exibido hoje no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, faz parte da mesma estirpe dos títulos citados. Lançado em agosto de 2003, o filme dirigido por Izabel Jaguaribe mostra a intimidade de um dos mais sofisticados e talentosos sambistas brasileiros de todos os tempos, o carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola.
Ao lado de “Nelson Freire”, de João Moreira Salles, sobre o pianista brasileiro que é considerado um dos grandes intérpretes do instrumento no mundo, o filme de Jaguaribe é tido como um dos melhores documentários nacionais sobre música. A exibição, às 20h, é gratuita e faz parte da programação do projeto Cinema BR em Movimento (CBRM), maior circuito de exibição não-formal da América Latina, mantido pela Petrobras.
Trata-se de uma oportunidade e tanto de se conferir um documentário de qualidade já que as redes de exibidores do País praticamente ignoram o gênero, que ontem ganhou um livro sobre a sua trajetória. A alegação é a mesma de sempre: esse tipo de filme não gera lucros. Pode até ser verdade, mas parte da culpa por isso é das próprias redes, que fizeram ao longo dos anos com que o público esquecesse que no cinema também há espaço para histórias reais.
Seria ótimo se cada vez mais pessoas redescobrissem o documentário nas telonas. Haveria mais informação e menos comentários bobos do tipo “não foi isso que aconteceu de verdade” quando longas de ficção se baseiam em fatos reais, como “Carandiru” ou “JFK”. Documentário, como já diz o nome é documento e, assim, só presta se lidar com a realidade.
De acordo com o agente cultura Orlando Alves, que percorre todo o Interior paulista levando os filmes da programação do CBRM, o documentário sobre Paulinho já têm exibições marcadas para Lençóis Paulista, Botucatu e Ourinhos, além da estréia em Bauru.
Em “Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje” Izabel Jaguaribe mostra como vive e canta Paulinho da Viola, compositor e instrumentista que é um dos grandes nomes do samba de todos os tempos em atividade. Nascido em 1942, filho do músico César Faria, Paulinho é conhecido pela discrição, o que torna o filme ainda mais interessante (curiosamente, o mesmo acontece com Nelson Freire).
A câmera mostra hábitos e costumes do artista desconhecidos do grande público e o coloca ao lado de nomes como Marina Lima, Zeca Pagodinho, Marisa Monte, Hermínio Bello de Carvalho, Nélson Sargento e Monarco, para citar apenas alguns, cantando e tocando grandes sambas. É uma bela obra que serve duas artes: o cinema e a música.
• Serviço
“Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje”, exibição hoje, às 20h, no Teatro Municipal pelo projeto Cinema BR em Movimento. Entrada gratuita. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3235-1072.