Tribuna do Leitor

ONU


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O mundo atual atravessa uma fase complicada, para não dizer muito difícil, guerras inúteis e intermináveis, vultosos prejuízos materiais, uma quantidade imensa de vidas perdidas inutilmente. O terrorismo surgiu como um furacão sobre a face da terra, ceifando milhares de vidas de inocentes, carros-bombas, homens-bombas, que atingem mulheres e crianças indefesas, autoridades as mais variadas e respeitáveis são assassinadas com a maior naturalidade, vidas preciosas são perdidas: (o brasileiro - Sérgio Vieira de Melo) Nova York, a coisa mais absurda em um mundo atual e que se diz civilizado, por quê? Ódio? Vingança?

Ainda perto do fim da Segunda Guerra, em plena devastação, surge a Carta das Nações Unidas com seus objetivos de manter a paz, melhorar as relações entre as nações, ajudar as pessoas a viverem melhor, combater a pobreza, o analfabetismo, doenças, defesa dos direitos universais dos homens e tantas outras coisas boas e nobres, ou seja um grande ideal de paz, de ordem, de liberdade e de justiça, fazendo com que a nossa fé, a nossa esperança se mergulhem nela, na ONU, mas os tempos eram outros.

Temos a ONU, como uma organização internacional das mais respeitáveis e confiáveis. No entretanto, ela precisa se reciclar, mudar para ser capaz de desempenhar o papel a que se propôs. É inconcebível que apenas um ou dois homens promovam uma guerra sanguinária, dizimando milhares de vidas inocentes e a ONU seja incapaz de impedir. Ao tempo de Hitler, a ONU não existia. Mas na guerra do Iraque comandada por Jorge W. Bush e Tony Blair ela estava em pleno funcionamento e não conseguiu impedi-los. O que realmente precisamos no mundo atual é de uma ONU realmente forte e com muita autoridade sobre as nações. Não há tribunais que bastem quando os deveres se ausentam da consciência dos governantes. É preciso contê-los a qualquer preço.

Precisamos de uma ONU que dissesse aos senhores Jorge W. Bush e Tony Blair: vocês não vão invadir o Iraque e ponto final. Uma ONU que diga ao sr. Sharon, primeiro-ministro de Israel e ao líder da Autoridade Palestina: acabem já com essa briga, porque estamos mandando. Uma ONU que se faça respeitar mundialmente, com muita autoridade, que realmente consiga evitar uma guerra, combater o terrorismo (diálogo) e seja capaz de por ordem no mundo. Para fazer pesquisas, levantamentos, quantas favelas existem no Rio de Janeiro, quantas crianças morrem de fome na África, isso o mundo inteiro está cansado de saber.

É preciso criar um mundo novo sob controle da ONU, que será certamente de inspirações desinteressadas, pois é a única organização capaz de assumir essa responsabilidade de acabar com essas guerras estúpidas e inúteis, essa carnificina selvagem. Ou a ONU se transforma, se modifica, passa a agir com grande autoridade capaz de combater e evitar essas guerras e o terrorismo, ou desempenhará um papel inútil e a caminho da falência total. O mundo atual precisa de uma ONU poderosa, de atuação austera, enérgica e de grande alcance. Não queremos vê-la como um grupo de senhoras e senhores elegantes, participantes de festinhas, coquetéis e congressos que não levam a lugar nenhum. Nesse ato de barbaridade recente, o americano Paul Marchall Johnson foi decapitado por terroristas da Al-Qaeda de Ossama Bin Laden, Daniel Pearl e Nicollas Berg, também morreram, qual foi a participação efetiva da ONU para evitar essas mortes? Nenhuma.

Nunca fomos, não somos e jamais seremos contra a ONU. Somos pelo seu fortalecimento, o que o mundo atual precisa e tão fácil de se conseguir. Com a criação de departamentos internacionais de investigação, segurança, informações, diálogo (saber o que querem) e orientação às nações para que saibam prevenir e não deixar acontecer. Os tempos mudam, tudo se evolui, se transforma e se modifica, com a ONU não pode ser diferente e compete aos seus dirigentes, mudá-la para melhor, atualizá-la com as necessidades do mundo atual. Olhemos para o passado e saberemos o que poderemos evitar no futuro, com certeza. O sr. Kofi Annan é um homem respeitável, de grande visão, altíssima capacidade e cultura, só lhe falta ajuda e apoio das nações para executar essas mudanças urgentes e tão necessárias.

Blasco Peres Rego - escritor - advogado

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