Para algumas pessoas, falta de tempo não é desculpa. Elas passam a semana com a agenda lotada de compromissos profissionais, mas reservam as (poucas) horas vagas e os finais de semana para cuidar do corpo e da mente praticando esportes. “É um alívio para o estresse diário”, explica o advogado Moacyr Caram Júnior.
Ele é adepto do motociclismo e há 15 anos dedica boa parte do seu tempo a andar sobre duas rodas. Juntamente com um grupo de amigos (cerca de dez pessoas), Caram Júnior sai aos sábados para percorrer trilhas e encontrar mais disposição para o trabalho. “Chego em casa acabado fisicamente, mas renovado mentalmente”, afirma.
Quanto maior a dificuldade do terreno, mais emocionante é a prática esportiva. Por isso, ele está sempre em busca de lugares diferentes, próximo à nascentes de rios e cachoeiras. “Vamos muito para Agudos, Brotas, Botucatu”, conta.
Embora seja em cima de uma moto, a atividade exige um bom condicionamento físico. Caram Júnior garante a sua dose extra de energia praticando tênis e corrida quatro vezes por semana. “Saio do escritório e, antes de ir para a faculdade dar aula à noite, reservo algumas horas para o esporte”, destaca.
Com isso, ele diz que se sente renovado. “Eu preciso dessa válvula de escape para dar conta de todos os compromissos do cotidiano”, salienta.
Para o comerciante Teruo Kosaka, 42 anos, esse “combustível” chama-se atletismo. Ele e mais um grupo de 15 a 20 amigos correm uma média de dez quilômetros por dia, de quatro a cinco vezes por semana. “O percurso pode ser vias asfaltadas ou de terra, não importa”, salienta.
O desafio esportivo começou há cerca de seis anos, quando eles decidiram disputar a maratona de São Silvestre. “Tudo começou com uma aposta entre a gente para ver quem dava conta de competir. Iniciamos os treinamentos e não paramos mais”, salienta.
No começo, eles corriam cerca de três quilômetros por dia. Com o passar do tempo, esse percurso foi aumentando, até chegar nos atuais dez quilômetros - que podem ser 15, dependendo da disposição dos atletas.
O grupo já praticou corrida até em lugares íngremes, como nas montanhas de Minas Gerais. “É bem mais difícil que na cidade, mas aceitamos o desafio”, explica Kosaka.
Formada por pessoas de 25 a 55 anos, homens e mulheres das mais variadas profissões (engenheiro, dentista), a turma se reúne também aos finais de semana para praticar. “Isso nos dá uma disposição muito grande”, afirma Kosaka.
Aposta radical
Apesar de não ter a mesma fama de Brotas, Bauru também possui o seu grupo de esportes radicais. O Clube Rapel e Cia. tem 75 pessoas cadastradas e costuma se reunir todos os finais de semana para a prática de esportes radicais.
O instrutor e fundador da empresa que administra o grupo, Arlindo Júnior, conta que deu início a essa atividade há seis anos, depois de ter feito cursos de operações táticas com a equipe americana da Swat.
Ele conta que as pessoas buscam no esporte radical algo que fuja do convencional e que garanta adrenalina e emoção. “Esse tipo de atividade ajuda a combater o medo e aumenta a autoconfiança”, salienta.
Esse efeito foi testado e comprovado pela professora de inglês Roberta Mayumi da Silva, 33 anos. Ela ingressou no grupo há cinco anos, guiada pela curiosidade, e conseguiu combater o seu medo de altura. “No início, eu optei por locais mais baixos para a prática do rapel. À medida em que fui perdendo o medo, fui subindo”, salienta.
Hoje ela diz que enfrenta qualquer altura numa boa, sem medo. Além do rapel, Roberta pratica também pêndulo e tirolesa junto com o grupo.
Em Bauru, eles usam prédios e viadutos para realizar as atividades. Para isso, precisam de autorização dos proprietários do local. “Já fizemos em prédios em construção, em um silo abandonado e agora estamos utilizando um viaduto inacabado”, conta Roberta.
O grupo também viaja para cidades que ofereçam condições naturais para a realização do esporte, como Brotas, Agudos ou Botucatu.
Roberta destaca que, para se aventurar nessas atividades, a pessoa precisa ter um bom preparo físico e cuidar do corpo. “Não pode beber no dia anterior e tem de ter uma boa noite de sono, além de apostar numa alimentação leve e balanceada”, orienta.
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Útil e necessário
Para desenvolver uma atividade esportiva, qualquer que seja ela, a pessoa deve começar pelo médico. “É necessário fazer uma avaliação prévia com um cardiologista para saber como está o organismo”, explica o professor de educação física Luís Gustavo Dias Gitirana.
Segundo ele, esse check-up é fundamental para que o atleta descubra quais as suas limitações e o seu potencial.
Se o atestado for positivo, o segundo passo é se proteger. Usar equipamentos de segurança adequados para a prática esportiva ajuda a evitar acidentes de percurso e conseqüências desagradáveis.
A professora de educação física Lívia Garcia Ribeiro salienta que cada tipo de esporte pede um traje adequado. “Dependendo do que a pessoa estiver fazendo, ela deve estar vestida de maneira correta”, destaca.
Antes de iniciar a atividade, um bom alongamento é essencial. “Se for praticar uma corrida, por exemplo, também deve fazer um aquecimento prévio”, lembra Lívia.
Beber muita água, mesmo que seja no inverno, é medida básica. “É preciso hidratar o corpo sempre”, lembra Luís Gustavo.
Os profissionais destacam que praticar esportes só aos finais de semana deve ser encarado mais como um hobby. “Se a intenção é perder peso ou conquistar um bom condicionamento físico, tem que dedicar mais dias durante a semana”, afirma Lívia.