Política

Barbosa abre mão da disputa para apoiar Tuga Angerami

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O técnico da Seleção Brasileira de Basquete Feminino, Antonio Carlos Barbosa (PHS), embarca para as Olimpíadas de Atenas no próximo dia 29 na condição de ex-pré-candidato à Prefeitura de Bauru. Ontem, minutos antes do início da convenção de seu partido, ele anunciou a retirada de seu nome da disputa em apoio à candidatura de Tuga Angerami (PDT). A notícia causou mal-estar entre os dirigentes do PSL, PTC, PTN e PRTB, grupo político ligado ao ex-prefeito Antonio Izzo Filho e que caminhava com Barbosa.

O técnico da Seleção Brasileira de Basquete Feminino justificou que o afunilamento de apoio a outras candidaturas e a falta de estrutura logística para colocar a campanha nas ruas pesaram na sua decisão de recuar na disputa. “Mas meu projeto político continua em pé”, acrescenta.

Ele pretende colocar seu nome à disposição do PHS - ou de outro partido - nas eleições de 2006, ano em que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembléia Legislativa. Sobrinho do ex-prefeito e do ex-deputado Nicola Avallone Jr., Barbosa quer resgastar o histórico político da família.

Outro motivo alegado por Barbosa para justificar sua desistência é o pouco tempo que teria no horário de propaganda eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Somados, os cinco partidos acumulam cerca de dois minutos. Ele também criticou os grupos políticos que dominam a cidade.

“Há manobras para tentar isolar os novos na política. E assim, os feudos políticos continuam. Mas não desisti do meu projeto político. Estou apenas dando um tempo”, explica. Na avaliação dele, os poucos mais de dois meses de articulações para viabilizar sua candidatura serviram de experiência e funcionaram como um “termômetro político”.

“Senti, ao conversar com as pessoas, que eu preencheria um espaço diferenciado, que é o novo. Senti muito carinho pelos povos dos lugares mais distantes da zona nobre. Não gosto de usar o termo periferia porque às vezes somos muito mais de periferia espiritualmente do aqueles que moram propriamente na periferia”, argumenta.

Embora Barbosa não assuma, o lançamento de sua pré-candidatura a prefeito de Bauru provocou desgaste na Confederação Brasileira de Basquete (CBB). A direção do órgão esportivo não viu com bons olhos o fato de o técnico da Seleção Brasileira de Basquete Feminino se envolver numa disputa política às vésperas das Olimpíadas de Atenas.

Se optasse por seguir na disputa, o ex-pré-candidato a prefeito do PHS teria pouco tempo para se dedicar à campanha eleitoral, já que está em plena fase de treinamento do time para os jogos de Atenas. Ele também teria outro contratempo: durante todo o mês de agosto - ponto alto da campanha - estará ausente para cumprir a jornada das Olimpíadas.

Apoio a Tuga

Anteontem, Barbosa manteve um encontro com Tuga Angerami e seu grupo político. Segundo ele, é sua intenção levar os partidos que orbitam em torno do PHS para apoiar a candidatura do pedetista. “Ainda estamos conversando. Viajo amanhã (hoje) para o Rio. Mas a minha militância fica aí para definir. Tenho uma grande afinidade com o Tuga. Ele me levou para o governo dele, em 1984. É o que se aproxima mais das nossas idéias porque ele quer valorizar o social, o ser humano em si”, argumenta.

Mas nos bastidores políticos, o comentário é de que o grupo de Barbosa e do ex-prefeito Izzo Filho vai pulverizar a campanha à Prefeitura de Bauru. Alguns vão seguir com Tuga, outros com o candidato Luiz Carlos Valle (PSB) e uma parcela já está de olho no tucano Caio Coube (PSDB).

Com a desistência de Barbosa ontem e de Dudu Ranieri (PFL) anteontem, o número de candidatos a prefeito cai para oito: Agamenon Nascimento (PMN), Antonio Sérgio Marsola (PPS), Caio Coube (PSDB), Clodoaldo Gazzetta (PV), Estela Almagro (PT), Luiz Carlos Valle (PSB), Sandro Fernandes (PSTU) e Tuga Angerami (PDT).

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