O Departamento Nacional de Trânsito e Conselho Nacional de Trânsito provam, a cada dia que passa, estarem alienados da realidade sócio-econômica brasileira e, principalmente, do contexto nacional do trânsito.
As resoluções editadas periodicamente pelos órgãos são
as maiores provas desse panorama. Recentemente, o AutoMercado & Cia, neste mesmo espaço, criticou veemente a proibição do uso dos pneus reformados para
motos.
Tal obrigação, a julgar pelo silêncio sepulcral do
Contran diante do questionamento do AutoMercado&
Cia a respeito, foi feita sem qualquer embasamento
científico ou estatísticas de acidentes provocados
por tais equipamentos.
Agora a bola da vez são os pára-choques traseiros
dos caminhões, que novamente, por força dos mesmos órgãos, terão de sofrer modificações, conforme mostra a matéria principal da edição de hoje do caderno. A
elgação do Contran e do Denatran para modificálos é a necessidade de aperfeiçoar e atualizar os requisitos de segurança para os veículos de carga.
Até aí, nada contra a nobre iniciativa. Entretanto,
estranha-se o fato de que apenas os veículos novos
terão de sair de fábrica com os novos pára-choques,
decisão que exclui a maioria da frota nacional
de caminhões usados.
Por mais que se possa questionar os custos que uma nova adaptação exigiria aos bolsos de empresas e caminhoneiros autônomos, estes já demolidos pelos mirrados valores dos fretes e altos valores de pedágios, a segurança deve sempre vir em primeiro lugar e, principalmente, ser democrática.
Uma vez criada a obrigatoriedade sob a alegação
de que o equipamento foi aperfeiçoado e atualizado em nome da segurança no trânsito, seria mais do que lógico que todos os caminhões passassem a adotá-lo, independentemente das despesas geradas. Além disso, e a fiscalização aos novos pára-choques? Como ela seria executada? Especialistas afirmam que os policiais rodoviários, por exemplo, necessitariam de um posto
informatizado para checar se os detalhes do projeto
de cada equipamento está em conformidade com aquele que está à sua frente na estrada. Tal estrutura está mais para cena de filme hollywoodiano do que para a realidade brasileira.
Por isso, em vez de preocupar-se com os párachoques
atuais, que já seguem modernas leis européias
de segurança, o Contran e o Denatran deveriam é esforçar-se para cobrir os buracos do atual Código de Trânsito, como a falta de regulamentação para o uso do
bafômetro ou a aplicação de multas para pedestres.