Bairros

Hospital Beneficência Portuguesa é tombado

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

As características lusitanas do antigo prédio do Hospital Beneficência Portuguesa não podem ser alteradas a partir de hoje. É que o imóvel foi tombado, conforme o decreto assinado pelo prefeito Nilson Costa (PTB) que seria publicado na edição desta terça-feira do Diário Oficial do Município (DOM).

A medida, regulamentada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac), é uma garantia oficial de que o telhado, a varanda, as rampas situadas em frente ao estacionamento, além da fachada frontal (paredes, portas e janelas originais de madeira) serão preservados no estilo arquitetônico original.

Pela mesma razão, o imóvel não pode ser mutilado, destruído ou demolido, informa a assessoria de imprensa da administração municipal. Para ser pintado ou restaurado, depende de autorização do Condepac, sob pena de multa de 1% a 20% sobre o valor do bem tombado.

“Como o nosso intuito também é o de manter a imagem (original do imóvel) respeitamos todas as resoluções (do Condepac na ocasião da restauração do telhado)”, explica o membro do Conselho Administrativo da Beneficência Portuguesa, o oftalmologista Raul Gonçalves de Paula.

Na opinião dele, a idéia do tombamento é muito boa, embora critique o fato de não haver contrapartida financeira. O médico explica que o conselho administrativo da instituição autorizou e iniciou a restauração da fachada do prédio antigo. “Também estamos providenciando a iluminação (da frente do imóvel). É muito bonita (a fachada)”, comenta o oftalmologista.

Restauração

Concorda com ele a arquiteta contratada para restaurar o imóvel, Ludmilla Sandim Tidei de Lima. Desde maio, ela trabalha no projeto em companhia de outra profissional da área. “O telhado inclinado, por exemplo, é uma característica da arquitetura portuguesa. Ricardo Severo assinou o projeto original. Ele era português e na época atuava no Brasil”, conta Lima, que pesquisa a história do imóvel.

Para desenvolver seu trabalho, cujo custo não foi informado, ela utiliza os princípios da restauração moderna, método que recupera as características da época evidenciando a intervenção contemporânea. “O mais importante é resgatar o valor histórico que esse prédio tem para Bauru”, diz.

Faz coro com a arquiteta o secretário municipal das Administrações Regionais (Sear), Arlindo Figueiredo, cuja família de origem portuguesa é uma das mais antigas da cidade. “Um povo sem passado não existe. É importante registrar a (participação da comunidade lusitana no desenvolvimento de Bauru). É um patrimônio (o imóvel)”, opina.

O prédio foi inaugurado oficialmente em 1928, mas foi fundado em 1915 pela Sociedade Beneficente Portuguesa (formada em 1914), informou em matéria recente publicada pelo JC o memorialista Luciano Dias Pires.

Além do hospital, já estão tombados os prédios da Igreja Santa Terezinha, da Igreja Presbiteriana, da capela da antiga Santa Casa de Misericórdia e do Hotel Cariani. O JC não encontrou o membro do Condepac, Nilson Ghirardello para comentar o assunto.

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