Economia & Negócios

Consumidor adere ao cartão de débito e uso de cheques cai

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Uma pesquisa feita pelo Banco Central (BC) mostra que a praticidade do cartão de débito conquistou o consumidor brasileiro. Por ser mais seguro do que a utilização do dinheiro e por evitar a burocracia do crediário, o pagamento eletrônico está cada vez mais popular. Por conseqüência, as pessoas estão usando menos cheques, o que é positivo para o comércio, pois reduz as taxas de inadimplência.

De acordo com o estudo do BC, de 1999 a 2003 o total de pagamentos em cheque passou de 63,5% para 40,7% em volume, e de 42,4% para 22,1% em valor. Já os pagamentos eletrônicos cresceram de 15,2% para 16,4% em volume. Os débitos diretos subiram de 13,4% para 19,6%, e a utilização dos cartões de débito e crédito passou de 2,6% para 12%.

Segundo o BC, em todo o País os pagamentos por meio eletrônico já superaram os realizados em papel, exceto aqueles efetuados em papel moeda. Além disso, o ano de 2003 consolidou a cultura do uso do pagamento com cartões, principalmente em função da facilidade e praticidade que proporciona aos usuários. O dinheiro de plástico já faz parte do cotidiano de muita gente, sendo usado em todos os segmentos do comércio e também no pagamento a prestadores de serviços.

O gerente de um grande magazine instalado no Centro de Bauru, Itamar Camargo Vieira, aprova o novo perfil do consumidor brasileiro. Mesmo com o pagamento, por parte dos lojistas, de taxas em torno de 3% para a utilização do sistema, ele afirma que vale a pena.

“O cartão de débito é mais seguro para os dois lados (comércio e consumidor). A taxa para utilização ainda pesa para as lojas, mas mesmo assim é vantajoso. No ano passado nós percebemos uma grande mudança nesse perfil, com o aumento dos cartões sendo utilizados para os pagamentos. Até mesmo as pessoas com poder aquisitivo mais reduzido já usam bastante o cartão de débito”, afirma Vieira.

Em uma loja de confecções de linha popular, o gerente Luiz Colpani também confirma a nova realidade e aprova o sistema de pagamento eletrônico, que já é o mais utilizado na loja.

“Para nós é mais seguro em relação aos pagamentos feitos com cheques. Aqui na loja nós incentivamos o uso do cartão de débito junto aos clientes. Eu não tenho estatísticas sobre inadimplência, mas posso afirmar que os índices caíram depois que o cartão de débito caiu no gosto popular”, observa. Segundo ele, atualmente cerca de 70% das compras feitas na loja são pagas por meio eletrônico.

Em alta

O proprietário de uma rede de drogarias da cidade, Antônio Augusto Gomes, revela um crescimento acentuado no número de transações efetuadas por meio eletrônico na maioria das sete unidades da rede, principalmente na Zona Sul da cidade. De acordo com ele, neste ano o aumento já é de 25% na comparação com 2003, somando cartões de débito e crédito.

“Nas unidades (da drogaria) localizadas na Zona Sul, percebemos uma queda na utilização do papel moeda e aumento acentuado dos cartões de débito, além do crédito. Eu prefiro os pagamentos eletrônicos porque são mais seguros para o comerciante. Para o consumidor, esse sistema também é mais seguro, pois evita andar pela rua com muito dinheiro vivo na carteira. O uso de cheques caiu bastante, mas a inadimplência ainda é alta”, observa Gomes.

Em relação ao crescimento do uso de cartões de débito, ele faz um alerta aos consumidores orientando que peçam o cupom fiscal ou a nota fiscal do pagamento via cartão. “As pessoas se habituaram a ficar somente com aquele papel emitido ao final da operação, mas ele não é um comprovante, de fato, de que o pagamento foi efetuado”, orienta.

Numa rede de supermercados que possui três lojas em Bauru, a gerente financeira Fernanda Lima Magion diz que de janeiro a junho deste ano foram registrados 268.260 pagamentos com cartão de débito. Isso significa alta de 30,57% sobre os 205.445 pagamentos feitos no mesmo período do ano passado. Em valores - não revelados pela empresa -, o aumento foi de 27%.

O jornalista João Pedro Fezza é um exemplo de consumidor que adotou o cartão de débito como seu principal meio de pagamento nas atividades do dia-a-dia. Segundo ele, que afirma ter “horror” a cartão de crédito por ser uma pessoa desorganizada, há cerca de três anos não utiliza cheques.

“Eu não gosto de fazer dívidas e prefiro comprar à vista. Já tive cheque, mas nunca quis ter um cartão de crédito. Mas desde que comecei a utilizar o cartão de débito, não saio mais de casa sem ele. É muito prático, fácil de controlar e eu uso para quase tudo, sempre dentro dos limites do meu orçamento. Acho ótimo”, conta ele.

A esposa de Fezza, Luciandréa Pereira, também é adepta do cartão de débito e diz que prefere o meio eletrônico do que o cheque para as compras do dia-a-dia, como no supermercado. “Já faz um mês que estou sem talão de cheques, pagando tudo ou com dinheiro ou cartão de débito. Agora também comecei a usar o cartão em posto de gasolina. É muito prático.”

Bancos

Segundo informações da assessoria de imprensa do Bradesco, até dezembro de 2003 o banco havia emitido 34,01 milhões de cartões de débito em todo País. Até marco deste ano, quando foi feito o último levantamento, este número já tinha subido para 35,7 milhões.

A gerente de mercado do Escritório de Negócios (EN) da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru, Roseli Maranghetti, afirma que a queda na utilização de cheques e o crescimento das operações com cartão de débito são uma realidade e uma tendência. Contudo, não é possível, na avaliação dela, fazer prognósticos sobre esse quadro num futuro próximo.

“Somente no mês de junho deste ano, a quantidade de operações efetuadas com cartão de débito no ambiente interno da Caixa subiu 15% em relação ao mesmo mês de 2003. No sistema Caixa Aqui, no último ano abrimos 20 mil contas na região de abrangência do EN na região de Bauru. Essas contas, direcionadas à população de baixa renda, são movimentadas com cartão de débito”, observa Roseli.

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