De acordo com a coordenadora da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital Estadual de Bauru, Cristiane Rocha, o tratamento de pacientes com queimaduras graves é extremamente delicado, difícil e exige cerca de dois a três meses de internação hospitalar, em média.
“O grande queimado é um paciente grave, que desidrata muito rápido, tem uma chance muito grande de sofrer infecções, geralmente passa por diversas cirurgias e pode apresentar complicações sérias, como a insuficiência renal ou circulatória. Se a pessoa não tiver um bom atendimento nas primeiras 48 horas após o acidente, a chance de que ela fique com seqüelas importantes ou que vá a óbito aumenta muito”, comenta.
Segundo a médica, o maior desafio nesse tipo de tratamento é estabilizar o funcionamento orgânico do paciente. Ele precisa ser reidratado (com aplicação de soro na veia), aquecido (porque perdeu a proteção térmica da pele) e receber um bom suporte nutricional para acelerar a reprodução das células e conseqüente cicatrização.
Paralelamente, o paciente é medicado com antibióticos. “A pele é a proteção natural do ser humano contra agentes infecciosos. Sem ela, o queimado grave fica extremamente suscetível a apresentar infecções”, explica Rocha.
Ela salienta que, nesses casos de queimaduras graves, o paciente chega a ficar de 30 a 40 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “A UTI de queimados tem todos os equipamentos de uma UTI convencional, só que ela é climatizada. A lesão na pele faz o paciente sentir muito frio, então, nós mantemos o ambiente com uma temperatura média de 32 graus”, descreve.
Como o risco de sofrer infecções é maior para o paciente queimado, a UTQ fica totalmente isolada de outros procedimentos. “O paciente não tem acompanhante, visitas e profissionais têm que seguir normas rigorosas de higienização”, explica a médica.