Vi na Internet um terrorista iraquiano assassinando um refém turco e, no momento em que o matava, teria gritado: “Deus é o maior!”. Enojado, angustiado, quase vomitando diante da brutal cena, me perguntei: será que o Deus a que o terrorista assassino se referiu, é o mesmo Deus com quem converso todas as manhãs? Será que é o mesmo Deus que amo, que me ama e ama os meus filhos e meus vizinhos e seus filhos? Certamente que não. O meu Deus é piedoso e Sua generosidade é tanta quantas são as estrelas que enfeitam o céu, os peixes que habitam as águas e os sorrisos nos lábios das crianças. O meu Deus nunca incentivou agredir, muito menos a puxar gatilhos. O meu Deus me fala cochichando nos verdes caminhos dos ventos, me escreve com o beija-flor poetando nas flores do meu jardim, me oferece sinfonias no rom-rom do meu carro, na voz do operário anunciando pelas ruas: “Ó o gáaais...”. No silêncio amoroso das minhas orações e do bem-te-vi bem me vendo manso. Definitivamente, o terrorista assassino e covarde que matou um irmão com as mãos atadas e os olhos vedados inventou um deus tentando justificar a sua violência contra a humanidade. Não matou apenas um semelhante. Atirou contra este articulista e quem está lendo esta coluna; contra o empresário e o gari; o sacerdote e o menino empinando pipas com linha sem o cerol; contra as pessoas de todas as raças e contra as borboletas. Contra os bebês nascidos hoje, contra os idosos e os poetas. Contra as águas e as terras, fontes do maior dom das criaturas legado pelo Deus das minhas manhãs: o dom da Vida!
Que deus é esse que conduz o Caim deste século a deflagrar atitudes estupradoras violentando vidas? Que deus é esse que não titubeia em matar impiedosamente sob palavras enganosas dos estúpidos líderes prometendo o paraíso celestial aos seus ignorantes e fanáticos compatriotas? Pobres crianças conduzidas por loucos que o fanatismo gerou. Homens que não deveriam ter nascido, filhos do demônio por eles denominado deus. Que o meu Deus e de todos nós, os pacíficos, na Sua infinita compaixão, conceda ao assassino a mesma piedade concedida à sua vítima.
Munir Zalaf - R.G. 2.726.959