Economia & Negócios

CUT protesta contra política salarial

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Entidades ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizam hoje, a partir das 10h, um ato público em protesto à política salarial adotada pelo governo do Estado para seus servidores públicos. A mobilização será realizada em 15 cidades do Interior paulista: Bauru, Araçatuba, Assis, Barretos, Campinas, Itapetininga, Marília, Presidente Prudente, Registro, Ribeirão Preto, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Taubaté.

De acordo com o coordenador da CUT em Bauru, Duílio Duka de Souza, o objetivo do movimento é mostrar à sociedade o descaso com que os servidores vêm sendo tratados nos últimos anos.

“Os universitários ficaram mais de dois meses em greve e não conseguiram o que reivindicavam. Funcionários da educação tiveram um aumento de 5% e que só entrará em vigor a partir de outubro. A saúde fez greve e não conseguiu nada. O Judiciário está em greve e não existe acordo. Queremos mostrar que os servidores estão descontentes com a postura do governo”, explica.

Segundo ele, a insatisfação é geral e se apresenta em todas as bandeiras de luta das diferentes categorias envolvidas. Um exemplo é a educação. Entidades ligadas ao magistério vão aproveitar o movimento para questionar a desvalorização cada vez maior do ensino e do professor.

A diretora do Centro do Professorado Paulista (CPP) em Bauru Vera Lúcia Durand da Silva, cita como exemplo do desrespeito ao processo de ensino-aprendizagem a recente convocação de professores concursados em 2003 para assumirem vagas efetivas agora - no meio do ano.

Segundo ela, as conseqüências desta ação serão danosas a todos. A categoria alega que o processo de aprendizagem do aluno fica prejudicado pela falta de uma seqüência, que profissionais com Acordo de Contrato Temporário (ACTs) perderão seus empregos e que muitos dos convocados ingressarão em escolas de outros municípios, o que pode gerar desestrutura familiar.

Paralelamente, as entidades ligadas ao magistério destacam que muitos profissionais podem sofrer prejuízos financeiros. Professores hoje contratados como temporários com 40 horas-aula só poderão pegar 20 horas-aula no ingresso, perdendo metade de seus rendimentos. Da mesma forma, profissionais efetivos que hoje têm carga horária suplementar podem perdê-las para os novos efetivos.

“Eu vivi isso na pele. Quando assumi uma vaga efetiva, em 1979, também foi em agosto e foi horrível. Eu tirei aula de professores que eram arrimo de família. Também fui prejudicada, pois eu tinha uma jornada de 40 horas-aula onde trabalhava anteriormente e minha carga caiu para 16 horas-aula. Então, você faz um planejamento para sua vida naquele ano e de repente muda tudo”, comenta a diretora local do CPP.

As entidades informam que apresentaram vários argumentos ao governo tentando adiar a convocação para o início do próximo ano, mas sem sucesso. Para os representantes da categoria, parte disso deve-se a uma grande dificuldade que as associações e sindicatos encontram em mobilizar a categoria.

“Infelizmente, nosso professorado está apático, está difícil fazê-lo se mobilizar. Por isso estamos convocando todos os professores, ativos e aposentados, a participar deste ato público”, convida Vera Silva.

Em Bauru, o ato público será realizado hoje, na Praça Rui Barbosa, a partir das 10h. No dia 20 deste mês, outra manifestação - um ato unificado do funcionalismo - deverá ser realizado na Capital paulista.

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