A gerente de Resíduos e Gestão Ambiental da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), engenheira Roberta Oliveira Lança, afirma que um plano alternativo será utilizado caso a capacidade do atual aterro se esgote antes que a Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) libere a construção do novo depósito.
Lança explica que o plano B da Emdurb passa pela compactação de uma quarta camada de lixo, contra três do projeto original. “É preciso fazer um trabalho de terraplenagem e impermeabilização na área nova e, se isso for demorado, pode ser que a gente pense nessa outra possibilidade e solicite a autorização junto à Cetesb”, prevê.
Para o especialista em aterros sanitários Jorge Hamada, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a opção é viável. “É uma solução que deve ser considerada, até porque o estudo para a construção de aterros costuma demorar bastante tempo. A única exigência é que a quarta camada não seja íngreme e nem ocupe o espaço total da camada de baixo”, comenta.
Desde 2002, Hamada integra uma comissão de especialistas que vem monitorando o aterro sanitário para verificar a possibilidade de contaminação da água dos lençóis freáticos por poluentes gerados pelo lixo. Para isso, nove poços de acompanhamento foram construídos.
Segundo o professor Heraldo Giacheti, que também coordena os estudos, as coletas que vêm sendo feitas desde então não apontaram problemas graves de contaminação. “Observamos que, por sorte, apesar do solo ser arenoso, há um pouco de argila que retém o material que acaba escapando do aterro”, relata.
O monitoramento foi uma exigência da Cetesb para dar início ao processo de permissão definitiva de utilização do aterro. De 1994 a 1998, o depósito operou sem licença de instalação e, depois disso, a Emdurb conseguiu uma autorização provisória para operá-lo até que a análise do solo fosse implantada.
No relatório anual elaborado pela Cetesb, o aterro sanitário de Bauru recebeu no ano passado nota 9,5 do órgão.