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Artesão de Jaú está entre os melhores

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A paixão pela cutelaria de Ângelo Geraldo Gaeta Júnior, 43 anos, nasceu de seu gosto pela caça e pesca, ainda criança. De 1994 a 2000, ele viveu da atividade. Morador de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru), atualmente ele é investigador de polícia e continua fazendo suas obras de arte, nas horas de folga. “É mais que uma terapia. É uma verdadeira higiene mental. As horas que passo na confecção de uma faca são só minhas”, explica.

Apesar de não dedicar-se “full time” ao artesanato em aço, Gaeta já experimentou o glamour da cutelaria. Entre 1996 e 1999, participou de três feiras em Atlanta e uma na Califórnia, ficando entre os 100 melhores cuteleiros do mundo.

Além de colocar suas peças no Exterior, ele também fez boas vendas no Brasil. “Participei de três exposições em São Paulo, de 1994 a 1996. Em uma delas, conheci um norte-americano que abriu as portas da América para mim.”

O diferencial de suas peças, garante o cuteleiro, está na criatividade de compor com várias matérias-primas. “Eu não repito modelos. Faço facas com aço importado e para a empunhadura uso madeira natural da África, marfim ou sambar da Índia, animal que dispensa a galhada depois de cruzar”.

A mistura de prata com madeira e marfim pink ivory (marfim rosa) produz efeitos no cabo da faca que as tornam verdadeiras jóias. “Todas as minhas facas têm uma numeração e não são iguais às produzidas anteriormente.”

A criatividade que hoje acompanha Gaeta começou quando ele ainda era criança e, apaixonado pela cutelaria, começou a observar as facas produzidas por cuteleiros famosos. “Eu procurava as revistas especializadas e ficava observando os tipos de faca que existiam na época. Tentava adivinhar como elas eram feitas. Um dia fiz a primeira com uma mola de Volkswagen e esmeril. Eu tinha uns 18 anos”, calcula.

A faca, a primeira, está guardada a sete chaves e não tem preço. “Eu guardo de recordação do começo da atividade. O valor dela é sentimental.” Atualmente, o artesão desenvolve um modelo de faca mais comercial. “Estou trabalhando em uma peça que tem acoplada uma lanterna.”

Requinte

Diferentes das facas exclusivas e das comerciais, as peças confeccionadas por Vaniro Ferrarezi Michelassi, de Bariri, (56 quilômetros a nordeste de Bauru) têm uma dose de artesanal e uma pitada de comercial. São fabricadas em série, só que artesanalmente.

Com lâminas de aço inox 420 e cabos de madeira nobre (mogno, marfim, entre outras), elas podem ser adquiridas tanto por um colecionador quanto por uma pessoa comum que goste de usar uma peça prática, porém, não igual às encontradas no comércio.

A especialidade do cuteleiro são as facas utilitárias. “A que mais vende é a picanheira. Faço facas para caça e pesca, além das promocionais.”

A empunhadura, ou seja, o cabo das facas fabricadas por Michelassi, são ergonomicamente corretas. “O aproveitamento da lâmina é total.”

O cuteleiro confecciona cerca de 250 facas por mês, que são comercializadas em Bauru, São Paulo, Rondônia, Belo Horizonte e outras Capitais. “Estamos estudando a possibilidade de exportar nosso produto.”

O valor das facas feitas pelo cuteleiro varia de US$ 20 a US$ 30. “O preço é acessível para o público em geral, além dos colecionadores.”

Técnicas

As facas podem ser feitas de duas maneiras: por forjamento ou por desbaste do aço. No forjamento, o aço levado ao rubro é martelado de modo a melhor aglutinar e refinar suas estruturas granulares e dar um formato inicial.

O forjamento, quando executado por pessoas experientes, concede às estruturas do aço qualidades raramente igualadas pelo mesmo processo industrial. É um processo extremamente técnico, lento, e as facas produzidas por ele são sempre valorizadas.

O desbaste é a retirada de material excessivo, com diversos tipos de máquinas e ferramentas, de uma barra de aço previamente laminada ou forjada, até que ela adquira a forma e os vazados da lâmina que se pretende. Posteriormente, esse processo também será executado nas lâminas forjadas.

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