O tubarão está no topo da cadeia alimentar marinha, ou seja, não tem como predadores naturais outros membros da sua própria espécie. Apesar disso, o animal não merece a fama de assassino que possui e precisa ser protegido, e não exterminado. A exposição itinerante Expotuba, aberta ontem no Bauru Shopping Center, tem o objetivo de mostrar ao público quem é o tubarão, como ele vive, do que se alimenta e quais são seus hábitos, para que o peixe não seja visto como um inimigo do homem no mar.
Para isso, a Expotuba, organização não-governamental (ONG) de Natal, no Rio Grande no Norte, viaja pelo País com um acervo composto de painéis explicativos, arcadas, fósseis e cabeças dos peixes para exposição, além de cinco tubarões da espécie lixa vivos, um deles com 2,4 metros de comprimento. Outras espécies curiosas de peixes, como o cavalo marinho e a moréia, entre outros, também fazem parte da exposição. Todos os peixes, sem exceção, não foram capturados, mas chegaram até a Expotuba por estarem doentes ou precisando de reabilitação para retornar à natureza.
A grande atração para o público é a possibilidade de - sob a supervisão de um dos monitores - tocar o menor dos tubarões lixa, de 70cm, que está num tanque de água salgada aberto.
A Expotuba foi criada por Hércules Fasolak, do Parque dos Tubarões, em Natal, e pela bióloga Monaliza dos Anjos, que há cinco anos acompanha a exposição.
Segundo a bióloga, a má fama do tubarão e a pesca descontrolada têm feito com que algumas espécies estejam ameaçadas de extinção, como é o caso do tubarão baleia, o azul e o branco.
Estima-se que existam cerca de 500 espécies de tubarão no mundo todo, sendo que destas, 475 estão catalogadas. O mar territorial brasileiro possui 80 tipos diferentes de tubarão (30 deles podem ser encontrados no Sudeste). O lixa e o azul são os mais comuns no Brasil.
“As pessoas acham que o tubarão se alimenta de carne humana, o que não é verdade. Ele ataca porque confunde o homem com outro peixe”, diz a bióloga. O filme de Steven Spielberg, lançado em 1975, ajudou a transformar o peixe no vilão dos oceanos. “Se um filme sobre golfinhos fosse feito daquela maneira, as pessoas teriam medo de golfinhos”, acredita Monaliza.
A falta de conhecimento sobre os tubarões faz com que algumas barbaridades contra os animais aconteçam, como a morte a pauladas de um tubarão que ficou encalhado na praia de Copacabana, recentemente, por exemplo. O peixe também é vítima da pesca predatória, realizada indiscriminadamente para a retirada da barbatana do animal (que muitas vezes é devolvido ao mar mutilado, mas ainda vivo), que tem um alto valor nos países orientais.
Mais uma vez o desconhecimento está por trás da barbaridade. “Eles acreditam que a cartilagem de tubarão é afrodisíaca e fazem sopa de barbatana, que na verdade nem tem tanta cartilagem”, afirma a bióloga.
Mas e os ataques aos banhistas? Monaliza explica que eles só acontecem em regiões nas quais o ecossistema foi alterado pelo homem, como é o caso do Recife, recordista mundial de ataques, onde a construção do Porto de Suape destruiu o mar, o rio e o mangue da região, fazendo com que os tubarões ficassem sem sua alimentação natural. No caso da Capital pernambucana, o tubarão cabeça-chata, o mais perigoso do mundo, é o responsável pelos ataques que só neste ano já mataram dois banhistas.
“O perigo do ataque do tubarão é a extensão do ferimento, que provoca muita perda de sangue. O tubarão não morde uma pessoa duas vezes, porque quando percebe que é um homem, ele vai embora”, ensina Monaliza, que mergulha há oito anos realizando pesquisas e no mar teme apenas duas espécies, as moréias e as barracudas.
“É áspero”
Arthur Nunes Molinos e seu irmão Vítor, respectivamente 9 e 10 anos, foram dois dos primeiros visitantes da exposição ontem de manhã e não dispensaram a chance de passar a mão no tubarão lixa. “Achei legal, é áspero”, diz Arthur. Para Vítor, tocar o peixe o fez perder “um pouco” o medo.
“Eles nem sabiam da exposição, mas quando viram quiseram entrar na hora. É importante para desmistificar essa imagem do tubarão”, diz o médico Amauri Porto Nunes, pai dos meninos.
O representante de vendas Antônio José Spinelli Neto também levou o filho Enzo, de 3 anos, para ver os peixes na esperança de atenuar o impacto que o tubarão Bruce, do filme “Procurando Nemo”, causou. Neto tinha visto tubarões no aquário de Santos mas não espécies tão grandes. “Gostei da exposição porque a gente tem um contato mais próximo com o peixe”. Para sua esposa, a pedagoga Mônica Prado Spinelli, outro ponto positivo da mostra é o fato de existirem monitores treinados para explicar tudo sobre a vida dos tubarões.
Serviço
Expotuba, até o dia 10 de outubro, no espaço anexo do Bauru Shopping Center, em frente ao cinema. Horário de funcionamento: das 10h às 22h, de segunda à sexta; aos domingos a exposição está aberta das 12h às 22h. A entrada custa R$5,00 e crianças até 3 anos acompanhadas por um responsável não pagam. Rua Henrique Savi 15-55. Informações: (14) 3234-4363.